Arquivo paraRegional Bahia

Fundação Terra Mirim, através de Wayra

Fundação Terra Mirim  - FTM

 

A Fundação Terra Mirim (FTM) trabalha com a Queimada da Palhinha desde 2003, como parceira desta festa tradicional popular centenária da Região Metropolitana de Salvador. É uma parceria que dá bonitos frutos, uma relação de vizinhança e confiança já enraizada.

 

Iniciamos o contato com o grupo de anciões que guardam a memória desta festa, Dona Pina, Dona Sartíria, Seu Manoel, Seu Nilo e Seu Joaquim, através de uma pesquisa em história oral dentro do Projeto Águas Puras I, realizado pela FTM em 2002 com o apoio do Ministério do Meio Ambiente – FNMA, registramos depoimentos e fotografamos a festa na sua data original, em janeiro depois da Festa de Reis.

 

(Foto da Festa da Queimada da Palhinha em 2003)

 

Mapeamento Cultural

 

A gente queria muito conhecer os saberes, as expressões, os lugares que guardavam a memória do município de Simões Filho, e a pesquisa já iniciada desdobrou-se então em um projeto maior, o Mapeamento Cultural de Simões Filho. 

 

O Mapeamento Cultural foi uma pesquisa realizada voluntariamente por profissionais da FTM entre 2003 e 2006: Sônia Maria Gomes, psicóloga (participou no primeiro ano); Maria Izabel, percussionista, fotógrafa e cinegrafista; Wayra Silveira, historiadora, pesquisadora em cultura e poeta. O trabalho contou durante algum tempo com o apoio da Prefeitura Municipal no transporte e alguns materiais de registro. 

 

Conseguimos visitar as seguintes comunidades:

 

Palmares, Dandá, Pitanga de Palmares, Convel, Jardim Renatão, Dame, Mapele, Ilha de São João, Ponto Parada, Coroa da Lagoa, além da sede do município.

 

Registramos as seguintes manifestações culturais:

 

. Queimada da Palhinha – Palmares

. Fonte Nossa Senhora da Guia – antiga Cerâmica Três Rios

. Festa de São Gonçalo – Pitanga de Palmares

. Parteiras – Pitanga de Palmares

. Ervateiras – Pitanga de Palmares

. Festa dos Pescadores – Mapele

. Saturnino Repentista – Mapele

. Festa de Oxum – Terreiro Ilê Axé Ominigê

. Festa de São Miguel – Padroeiro de Simões Filho – Sede do Município

. Festa de Santa Luzia – Pitanguinha

 

(Fotos de Saturnino Repentista com a legenda:

“Seu Saturnino não tinha viola porque o filho vendeu sua viola para comprar uma bicicleta”.)

 

(Fotos da Festa de Oxum e Foto da Festa de São Gonçalo)

 

No total foram realizadas 31 entrevistas, registradas 400 fotografias e cerca de 20 horas de registro em vídeo.

 

Depoimento de Seu Manoel Lopes em maio de 2004:

 

A gente tinha casa lá, o velho meu pai tinha casa lá na fazenda [Coqueiro] e tinha dos morador tudo… O meu pai era homem de confiança do Coronel Cazuza., ah! era. O  pai do meu pai já trabalhava com a família de Cazuza, é. Ele parece que alcançou a época da escravidão… O meu avô parece que era escravo dessa família, já. Com certeza era escravo dessa família, (…) aí construiu meu pai dentro dessa família, quando meu pai teve entendimento que gerou a gente, a gente já nasceu dentro dessa fazenda (…). Ele pegou, ainda pegou uma ponta da escravidão, meu avô… quando meu avô não pegou, meu bisavô pegou, meu bisavô pegou a ponta da escravidão…

 

Entre os diversos os saberes que conseguimos registrar no Mapeamento Cultural, o Baile Pastoril Queimada da Palhinha, prática religiosa popular em louvor ao Senhor Deus Menino foi do qual mais nos aproximamos. No povoado de Palmares no Vale do Rio Itamboatá a família Lopes (Seu Manoel, Dona Pina, Seu Nilo) é uma das mais antigas, eles são a memória viva da região e o núcleo mesmo da tradição Queimada da Palhinha.

 

Percebemos um processo de desvitalização na festa, as mais velhas já cansadas, desmotivadas diante de tantos elementos modernos que transformaram a ética de reciprocidade e solidariedade desta comunidade centenária, as roupas dos artistas-devotos já bastante descaracterizadas, mas a queima da palha continou acontecendo todo mês de janeiro todos os anos no barracão enfeitado no quintal de Dona Pina.

 

Trecho de Depoimentos de Dona Sartíria e Seu Manoel:

 

Sobre a Queimada da Palhinha, Seu Manoel informou em junho de 2002 que a festa:

 … é do pessoal mais velho, aí vai passando de um prá outro (…). Aqui tinha uns devoto, um bocado de devoto da Queimada da Palhinha, um bocado mesmo. Aqui no fundo, (…) morava uma senhora, Dona Antônia que todo ano baiava, já tinha as pastoras tudo certo, aquele dia certo, aquelas roupa tudo de um tipo só, chapéu enfeitado, essa coisa toda, tudo já organizado. Ali em Pitanga, ali onde é a barragem hoje, o senhor que se chamava Aristides era outro devoto, começa no mês de baiar até o fim do dia das queimadas, era tudo organizado (…). Isso é antigo. São antigas essas festas. Agora, quem gosta da brincadeira sempre vem e acha bonito, arma aquele negócio, aquele presépio, dentro da lapinha…

 

Seu Manoel fala aqui da oralidade como via de transmissão dos elementos da festa, o grau de organização e participação da comunidade e a antigüidade da festa. Segue trecho do depoimento de Dona Sartíria também em junho de 2002:

 

Essa é uma coisa que vem desde o princípio, como eu lhe falei, né? Desde o princípio (…) eu já conheço essa brincadeira, era uma brincadeira muito bonita, (…) já armei aqui mesmo na minha casa, já armei lapinha, depois de Pina já voltou lá para casa dela. Eu morava em Camaçari, festejava lá na minha casa, com a minha sogra, a minha sogra faleceu, eu tomei a responsabilidade, aí depois abandonei tudo, eu fiquei sozinha, não dava para eu enfrentar sozinha. Abandonei porque não dá, cheguei aqui, aí Pina chegou. Começou a armar, a brincar, umbora, umbora todo ano ela arma e aí a gente vai brincar (…). É uma festa daqui mesmo. Foi criada aqui mesmo entre aqui Coqueiro e Pitanga, (…) mas tudo desse distrito daqui…

 

Dona Sartíria fala da festa como “brincadeira”, mas também como “responsabilidade”, testemunha a sua antigüidade na região e as dificuldades para continuar com o ritual.

 

A FTM promoveu a Oficina Queimada da Palhinha entre 2003 e 2004, trabalho que facilitou a transmissão dos conhecimentos tradicionais das mulheres mais antigas desta tradição para um grupo de 12 (doze) adolescentes moradoras da região, muitas delas netas de antigas pastorinhas da festa. Este grupo fez diversas apresentações na região.

 

(Foto da Oficina Queimada da Palhinha)

(Texto de Eliandra de 2003 falando da importância da Queimada da Palhinha)

 

Registramos as cantigas, os versos e as danças desta tradição, conhecimentos orais transmitidos de geração em geração. Fizemos uma roupa para as pastorinhas e tocadores, meio sem graça, branquinha e rosinha claro, com apoio da prefeitura municipal, mas já era legal todo mundo de saia rodada. O grupo começou a fazer apresentações nos eventos da FTM e em outros da região.

 

(Foto de uma apresentação da Queimada da Palhinha na FTM)

 

Cantiga da Queimada da Palhinha cantada à meia-noite no auge do ritual:

 

Minha gente fogo, fogo

Em Belém lá na Lapinha

Olha o fogo que nunca se apaga

Da Queimada das Palhinha

 

Eu pensei que cheguei tarde

Mas agora eu madruguei

Fui a primeira pastora

Que no presépio cheguei…

 

A Fonte de Nossa Senhora da Guia

 

Depoimento de Seu Manoel Lopes sobre a Fonte da Guia em janeiro de 2003:

 

Ave Maria, a água era uma prata. Essa fonte é um minador que não pára mesmo, é um minador forte, medonho. Ainda hoje a Fonte da Guia existe, não acabou não. Chama assim por que diz que apareceu uma santa nessa fonte, que era Nossa Senhora da Guia. Tinha um negócio, um barro embaixo quando lavava a fonte, o pessoal tirava um barro que tava lá e dizia que era a ‘relíque’ (relíquia) e aquilo usava em casa. Demovia assim na água pra quando sentir alguma dor. Eu mesmo acreditava, bebi muitas vezes na Guia, por diversas vezes a velha minha mãe me dava quando eu estava com dor de barriga… Qualquer dorzinha que a gente sentia, dizia: ‘Pega a relíque aí menino… ’.

 

A Fonte de Nossa Senhora da Guia é um bem cultural e ambiental desta região, inspirador de mitos e lendas que formam o imaginário da população local. Além disso, é uma nascente e, pela Legislação Ambiental do Estado da Bahia, Lei 6.569 e Decreto 6.785, é uma APP – Área de Preservação Permanente. Mesmo assim, a exploração desmedida da argila por pouco não fez desaparecer este importante local, a fonte esta localizada nas terras de propriedade da antiga Cerâmica Três Rios.

 

(Foto da Fonte da Guia em 2003 – local ainda degradado)

 

A FTM, através do Ambiental Terra Mirim, gerência da instituição ocupada na preservação e reconstituição do meio ambiente local, vem tomando algumas medidas para preservar a Fonte da Guia. Desde 2003 são realizados mutirões de limpeza e preservação na área da fonte com a participação de crianças e adolescentes, educadores e moradores, momentos educativos que promovem conhecimentos sobre este patrimônio. Na revegetação da área foram plantadas cerca de 300 mudas de plantas nativas da Mata Atlântica e é realizada a manutenção deste plantio através de ações como adubação, irrigação e roçagem da área.

Atualmente o cuidado com a Fonte da Guia é um dos temas centrais do Curso de Direito Ambiental Comunitário promovido pelo Ambiental Terra Mirim e faz parte da Agenda Sócio-Ambiental do Vale do Rio Itamboatá elaborada coletivamente com as associações e lideranças da região. Uma das questões mais palpitantes nas discussões deste curso é a legalização da área da Fonte da Guia como Unidade de Preservação.

 

(Foto da Fonte da Guia em 2008 – local já preservado)

 

Uma fonte de água pura, cheia de força mítica, água sagrada que nutria o imaginário do povo do lugar. Dizem que em algumas noites era possível ouvir a voz de uma mulher cantando na beira da fonte. Muitas pessoas só bebiam a água de lá. Hoje o povo não usa mais o barro da ‘relíque’, assim como muitos não usam mais como antes ervas como recursos para a cura e a limpeza do corpo. Porque o povo do Vale não usa mais a ‘relíque’? Aqui vão algumas opiniões sobre isso:

 

Seu Manoel Lopes:

 

- Por que o povo de hoje não tem fé e antigamente tinha, a gente antes tinha fé e hoje muitos não conhecem a história da Fonte da Guia. A minha mãe demolvia a ‘relíque’ na água e dava pra gente beber pra dor de barriga passar.

 

Alba Maria:

 

-

 

Wayra:

 

- Talvez por que estas práticas de cura mais ligadas aos recursos naturais foram se desvitalizando diante da modernização acelerada nos meios rurais. Aquilo que a ciência médica acreditou que era remédio tomou o lugar dos antigos recursos naturais para a cura das doenças do corpo e da alma.

 

Queimada da Palhinha na Ação Griô

 

Depois de tentar por alguns caminhos aprovar projetos que ajudassem a manter e a divulgar estes saberes orais, a gente escreveu um projeto para a Ação Griô Nacional. A FTM é Ponto de Cultura desde 2005 e realiza o Projeto Cultura: Direito de Todos, que são oficinas de arte para essa juventude que não sabe bem para onde caminhar, tem oficina de Capoeira, de Percussão e de Dança, com recursos deste projeto transcrevemos as entrevistas da Pesquisa Mapeamento Cultural de Simões Filho. Deste trabalho surgiu a Banda Meninos do Vale que já se apresentou em palcos da região. (colocar as notícias mais recentes…)

 

Escrevemos o projeto pedagógico para levar os conhecimentos orais da Queimada da Palhinha para turmas do ensino fundamental da Escola Maria Amélia. Trabalharíamos com 1 Mestre, Seu Manoel, 4 Griôs, Dona Sartíria, Dona Pina, Seu Nilo e Seu Joaquim, e uma Griô Aprendiz, Wayra. Quando saiu o resultado do Edital, a Fundação Terra Mirim estava entre os 50 Pontos de Cultura do Brasil que faria parte desta experiência pioneira. Foi um momento histórico dizer para anciões esquecidos no interior do nosso país que o governo do Brasil através do Ministério da Cultura reconhece o valor dos antigos e oferece recursos públicos para que partilhem o que sabem, o que são dentro das salas de aulas da sua própria comunidade, foi um momento muito especial. Versos e canções foram entoados em homenagem à Gilberto Gil e Célio Turino.

 

Depoimento da Griô Aprendiz Wayra Silveira sobre o início dos trabalhos:

 

No primeiro momento que entrei na escola, minha cabeça estava bem formal, então preparei material didático para os professores, foi bom, mas depois percebi que os caminhos podiam ser outros também. A gente sabia dos objetivos na escola, mas foi uma grata surpresa ver a possibilidade de estar na escola de maneira cortejante, brincante, ritualizando, fazendo cortejos e caminhadas. O contato com Márcio Griô e Eniéle abriu muito este caminho, eu troquei muitos e-mails nesta época com eles para ajudar a compor o lugar do Griô Aprendiz e a vivência em sala de aula. Passamos a cuidar da curva da vivência, cuidamos da roda e do pedido de bênção aos mais velhos. Nosso instrumento sagrado que passa de mão em mão na hora da bênção é o cajado da Véia Caduca, que é personagem cômico da Queimada da Palhinha. O cortejo chama atenção quando passa pelas ruas da comunidade. Nas rodas sempre vão visitantes e hóspedes estrangeiros de Terra Mirim, e é muito incrível esta riqueza, uma troca linda, a roda com tanta gente diferente, de culturas diferentes, junto com as crianças da escola. Uma visitante fez uma bonita doação: Fiapo, um dos netos da casa tem Seu Nilo como mestre e queria aprender a tocar pandeiro, mas não tínhamos como comprar o pandeiro, naquele momento a gente estava juntando dinheiro para fazer as roupas do ritual, aí a visitante, o nome dela é Amélia, doou o pandeiro para Fiapo, ele agora é aprendiz do Mestre Nilo. A gente entra na escola, faz a roda, pede a bênção, todos já conhecem este momento, os mais novos pedem a bênção aos mais velhos, de 15 em 15 dias temos reunião no quintal de Dona Pina e escolhemos as cantorias que vão acontecer na escola…

 

Umas palavras para Gilberto Gil

 

Quando saiu o resultado do Edital da Ação Griô, em março de 2007, depois de dar a notícia para os anciões, a Griô Aprendiz escreveu umas linhas para Gilberto Gil, mas nunca enviou esta mensagem para ele:

 

Gil, você está no meu altar. Numa foto recortada da capa de um jornal. Você está embaixo de Osho, ao lado de Buda, de São Longuinho e do Deus Elefante Ganesha. São ainda seus vizinhos na lapinha da minha cabeceira São Jorge e meu querido São Francisco, o santo que me faz chorar. Tenho no altar também um carneiro de vidro, que me lembra a fragilidade dos arianos como eu. Alguns hão de me indagar: “- O que faz um homem entre santos e deuses?”. Mas está tão justo o recorte de jornal, você com cabelos brancos e o indicador indicando alguma novidade, a boca pronunciando alguma revolução. Todos os dias medito contigo, o meu coração com um bem querer que te oferece paz, saúde e força. Não conheço as suas mazelas humanas, sei que hão de existir. Mas o que salta aos meus olhos é a novidade, a revolução vindas através de um… HOMEM. Muitos dirão: “- Estás venerando gente, coisa falível!”. Não! Venero a fertilidade, a boa vontade de partilhar a riqueza, a criatividade para transformar o curso secular dos interesses. Gil, você está no meu altar e o que você representa lá é a humanidade sã. Amo o artista. Admiro o Ministro. Mas o que venero no meu altar é o que se manifesta através de você, a coisa da qual você é canal aberto, é a poesia/ação, o feminino/masculino, a estrela/raiz, você humano como eu. Imagino a sua imensa jornada, as aflições e alegrias do caminho que te lapidaram até você poder ser este símbolo para mim. Imagino as suas dúvidas, medos, revolta, a pacificação da sua alma, a sua conversa com Deus. E me sinto privilegiada por estar de alguma forma conectada com alguém que realiza, no mundo das formas, as coisas que fazem parte da sua própria oração.

 

Wayra Silveira

 

(Foto de Gilberto Gil recortada no Jornal)

 

A griô aprendiz fez a ponte entre a Escola Maria Amélia e o grupo de tradição oral da Queimada da Palhinha. Wayra tem uma experiência de mais de 10 anos de trabalho comunitário, o que ajudou na construção de uma boa comunicação com os anciiões. Os cortejos até a escola são mensais e a Griô Aprendiz tem conquistado passo a passo os professores da escola Maria Amélia.

 

Dois professores ficaram mais parceiros da Ação Griô: o Prof. Feliciano de Artes e a Profa. Célia de Língua Portuguesa. 

 

Prof. Feliciano trabalhou com cantigas e versos da festa, fazendo até um jogral com os versos da Queimada da Palhinha:

 

1ª. Atividade de Artes:

 

Fundação Terra Mirim

Ação Griô Nacional – Ministério da Cultura

Cantiga da Queimada da Palhinha

Disciplina: Artes

Cantiga de Chegada da Queimada da Palhinha

 


Entremos por esta sala

Pra louvar a Deus Menino

Ainda que nasceu flor

É sina de ouro fino

 

Meu Senhor meu Deus Menino

Vim aqui te visitar

Doença eu venho trazer

Saúde eu quero levar

 

Meu Senhor meu Deus Menino

Tão alvinho como leite

Me guarde um lugar no céu

Onde a minha alma se deite

 

Meu Senhor meu Deus Menino

Me dê a mão que eu subirei

Todo mundo já subiu

Só eu embaixo fiquei

 

Meu Senhor meu Deus Menino

Minha flor de bem-me-quer

Me dê um bom marido

Que eu serei boa mulher

 

Meu Senhor meu Deus Menino

Meu cordão de ouro grosso

Quem me dera uma volta

Pra botar em meu pescoço

 

Deus Menino já rompeu

O solado do sapato

De andar para o convento

Visitar mulher de parto

 

Deus menino já foi santo

Hoje em dia é marinheiro

Quero viajar com ele

Lá pro Rio de Janeiro

 

Meu Senhor meu Deus Menino

Essas pastoras são suas

As que não bailar direito

Bote com elas na rua

 

A Profa. Célia trabalhou com leitura e compreensão de textos sobre a festa, aplicou exercícios e redação.

 

(Exercício de casa de Língua Portuguesa com a letra de uma das estudantes com perguntas e respostas sobre a Queimada da Palhinha)

 

Tivemos a parceria também da Profa. Ivone, da disciplina História, que de maneira silenciosa divulgou este trabalho fazendo 8 cópias do DVD do Mapeamento Cultural da FTM, exibido para os professores da Escola Maria Amélia, e distribuiu com colegas professores do município dizendo assim:

- De Simões Filho para Simões Filho.

Fez uma capa bonita para o DVD com fotos de alunos e exibiu o filme na Escola Maria Quitéria e nos bairros de Cristo Rei e Coroa da Lagoa.

 

O que mudou?

 

Chegou um momento do trabalho que a gente se perguntou: Afinal o que a gente quer mudar com a Ação Griô na Escola Maria Amélia? E foi maravilhoso descobrir que não queríamos mudar nada… Ufa! Que alívio! O único propósito pulsante era entrar na escola em cortejo cantando, dançando, vivendo a cultura local.

 

São muitas as coisas difíceis que encontramos no caminho, a escola tem condições físicas precárias, o muro da frente chegou a cair, as salas não tem portas, não podíamos sentar no chão, pois é grande a sujeira e uma funcionária só não dava conta de tudo, é alto índice de agressividade entre os estudantes… Mas o cortejo dos Griôs da Queimada da Palhinha ignorou os impedimentos e abriu a dimensão da festa, da arte, da brincadeira que educa dentro da sala de aula. As transformações que vieram deste trabalho aconteceram por elas mesmas, espontaneamente, algumas ainda invisíveis que só darão frutos mais tarde.

 

(Foto do Cortejo entrando na Escola)

 

A sistematização de toda esta experiência iniciou-se durante o processo, sendo feitos registros em foto, vídeo e arquivados todos os materiais produzidos. A infra-estrutura administrativa da FTM é disponibilizada normalmente para as necessidades da Ação Griô.

 

Um pouco sobre a Griô Aprendiz

 

As vivências em sala de aula, os cortejos, os momentos rituais, os encontros em Lençóis e em Belo Horizonte, a inclusão da ancestralidade na escola, reafirmam de maneira ardente o propósito de vida e o universo subjetivo, mítico e ancestral já acessado pela Griô Aprendiz na sua caminhada de vida. 

 

Wayra reside a doze anos na comunidade xamânica da Fundação Terra Mirim, vivenciando e participando de diferentes rituais com os quatro elementos da natureza, a Terra, a Água, o Fogo e o Ar, de iniciações em fogueiras, matas, grutas e montanhas com a Xamã Alba Maria, de Viagens Iniciáticas por caminhos sagrados do Planeta – Caminho Sagrado de Macchu Picchu no Peru, Caminho de Santiago de Compostela na Espanha, Caminho dos Ashrans na Índia, Caminho dos Himalaias no Nepal, Caminho de São Francisco de Assis na Itália, Caminho da Floresta entre a Alemanha, a Bélgica e a Holanda.

 

Na sua trajetória artística tem experiências no teatro como atriz e roteirista, como escritora e poeta já publicou dois livros – Um Conto de Bruxa e a coletânea Mãos Femininas Tecendo a Letra em conjunto com mais 3 poetas da FTM, na sua herança traz o amor pela música e pela dança.

 

Todo este capital simbólico facilita o contato com o encantamento, o que se reflete na construção da sua caminhada.

 

Os conteúdos trabalhados na Ação Griô fazem parte também da pesquisa que Wayra está realizando na Universidade Federal da Bahia como mestranda do Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade sob a orientação do Prof. Dr. Milton Araújo Moura. Sob o título “A Queimada da Palhinha do Vale do Rio Itamboatá – A permanência de uma prática do Catolicismo Popular Rural na Região Metropolitana de Salvador” a pesquisa busca responder a seguinte pergunta: Qual a relação entre uma prática do catolicismo popular rural e o mundo consideravelmente capitalizado e urbanizado em que se situam, hoje, seus cultivadores? Na sua dissertação Wayra vai refletir sobre a Ação Griô Nacional do Programa Cultura Viva/MinC como uma  política pública que colabora para a permanência e a valorização do saber popular e o respeito à cultura tradicional e oral do Brasil. Wayra Silveira acredita que…

 

…fazer parte da Ação Griô e ao mesmo desenvolver uma pesquisa na Universidade sobre temas como cultura popular, mito e festa, juntar o trabalho intelectual com o vivencial, é como conectar metades separadas, é um grande presente para mim.

                                                          

Quando perguntada sobre o que mais lhe tocou em todo este trabalho, a Griô Aprendiz responde rapidamente:

 

O que me encanta é a poética da Queimada da Palhinha, os versos e as cantigas me emocionam muito…

 

Uma de suas cantigas preferidas é a Reza, cantada pelas pastorinhas de joelhos em louvor a Nossa Senhora:

 

Encontrei com a Senhora

Encontrei com a Senhora

Na beira do rio

 

Lavando os paninho

Lavando os paninho

Do seu bento filho

 

Maria lavava

Maria lavava

José estendia

 

Chorava o menino

Corava o menino

Do frio que tinha

(eu não sei que fazia)

 

A Griô Aprendiz já realizou inúmeros trabalhos na Fundação Terra Mirim em diversas frentes da instituição. Fez parte durante oito anos da superintendência como Gerente de Arte e Cultura. Neste período coordenou eventos, projetos sociais e pesquisas que estavam sempre relacionados com os saberes tradicionais da região. Sobre o vínculo com os anciões Wayra diz:

 

Conheço o grupo da Queimada da Palhinha há 5 anos. Fiz entrevistas em história oral com eles para a pesquisa Mapeamento Cultural, trabalhei com todo o grupo por 2 anos consecutivos facilitando o contato dos anciãos com um grupo de adolescentes. Durante estes trabalhos me iniciei nos saberes orais da Queimada da Palhinha.

 

Depois dos encontros da Ação Griô em Lençóis e em BH, Wayra conheceu os trabalhos de outros Griôs Aprendizes e o contato com esta gente bonita, feliz, aberta, deu um contexto para o seu trabalho. Nos contatos com Márcio, Líllian, Cláudia e Vanda, a Griô Aprendiz percebeu que o convite da Ação Griô Nacional é a vivência da ancestralidade, da transcendência em sala de aula, a inclusão do sagrado (não o religioso) no currículo:

A sala de aula como um espaço também de vivência da transcendência de cada um. Uau!!! Eu vibro muito com isso, eu acredito nisso, não sei se eu sei fazer isso, mas a gente vai fazendo até saber.

Wayra refletiu se o Griô Aprendiz veste um personagem:

Eu sinto que cada pessoa é uma multidão, temos muitas faces, e minha face Griô Aprendiz sou eu sim, uma eu que amo muito, o eu mais alegre que sou.

A Caixinha

 

A bolsa trabalho veio em boa hora, Dona Sartíria precisava mesmo consertar o telhado da casa que estava caindo e comprar uma geladeira, Dona Pina queria há muito tempo construir um barracão maior para a festa.

 

Foram até a Caixa Econômica Federal de Simões Filho para abrir as contas correntes. A Griô Aprendiz e os cinco anciões entraram no banco às 11 h da manhã e saíram às 14:30 h. A fila dos idosos dava voltas no salão, mas, mesmo neste ambiente pouco familiar para eles, os mestres griôs agüentaram firmes.

 

Aconteceram momentos engraçados. A funcionária do banco perguntou:

 

- Dona Crispina, seu estado civil?

- Meu o quê?

- A senhora é casada ou solteira?

Dona Pina baixou a cabeça, um risinho envergonhado de quem foi denunciada:

- Tive 12 filho, mas nunca me casei não senhora…

 

*

 

- Seu Manoel o senhor esqueceu de trazer o recibo da conta de luz, o original.

Silêncio. Um silêncio pensativo.

- O senhor entendeu Seu Manoel? É necessário trazer o original da conta de luz.

Ele então respondeu:

- Eu digo pra senhora, pode acreditar, não deixo de pagar a luz nenhum mês. A primeira coisa que faço é pedir pra minha neta pagar a conta de luz, tá tudo pago. IPTU a mesma coisa, recebi até uma carta de parabéns do IPTU…

 

Foi um encontro da tradição com a modernidade.

 

Os Mestres Griôs decidiram fazer uma caixinha doando um valor todo mês para as necessidades do grupo, roupas, transporte, a Festa da Queimada Palhinha em janeiro de 2008, etc. Além disso, os anciões partilharam o dinheiro da bolsa de trabalho com outros participantes do grupo, os mais novos. Decidiram abrir uma conta poupança em nome de Seu Joaquim e Dona Pina para guardar o dinheiro.

 

Esta prática de partilhar o que se tem com o grupo do qual se faz parte pode ser encontrada na história de solidariedade dos grupos negros escravizados, que coletivamente conseguiam comprar as alforrias dos seus irmãos ainda cativos. Parece que esta ética permanece viva.

 

Esta caixinha rendeu importantes frutos: partilha financeira com os integrantes do grupo; confecção de roupas novas, bonitas e coloridas para todos os artistas-devotos; auxílio para a preparação da Festa da Queimada da Palhinha de 05 de janeiro de 2008; contribuição para a construção do novo barracão no quintal de Dona Pina.

Com a Ação Griô o governo do Brasil reconhece o valor dos antigos e oferece recursos públicos para que eles partilhem o que sabem, o que são. O recurso da bolsa trabalho colaborou de diversas maneiras neste encontro entre a tradição e a modernidade. Lá para o mês de agosto Dona Pina falou para Wayra:

 

- Uara, você não sabe…

- O que Dona Pina, me conte.

Ela então abriu um largo sorriso:

- Comprei um DDD!!!

- Um o quê?

- Um DDD!

 

Só algum tempo depois a Griô Aprendiz entendeu o que Dona Pina havia comprado, não apenas para a sua família, mas para o deleite de toda a vizinhança. O grupo então passou a assistir diversos filmes na sala de Dona Pina com a presença de toda a meninada da rua.

 

Os saberes Xamânicos de Terra Mirim

 

(ainda vou escrever…)

 

E outro ponto importante é que a Xamã Alba Maria fará parte da Ação Griô também como Griô de saber oral. Nós já trabalhávamos com os saberes de tradição oral Xamã de Alba. Nós estávamos gravando muita conversas com ela, nós temos muito material gravado, cheguei a escrever um projeto para avançar com este material, e tem gente cuidando deste acervo, eram duas coisas. Dai a gente viu que pode trabalhar conjuntamente com estes saberes, vamos incluir este trabalho na Ação Griô. Os saberes Xamânicos que são fortes em Terra Mirim, vamos juntar com os saberes da Queimada da Palhinha.

 

Um pouco da História de Simões Filho

 

Fundação Terra Mirim

Ação Griô Nacional – Ministério da Cultura

Disciplina: História

 

Um pouco da História do Vale do Itamboatá

 

Há muitos anos o Vale do Rio Itamboatá era uma grande floresta chamada Mata Atlântica, habitada pelos índios Tupinambá que viviam na natureza. Os Tupinambá eram um povo guerreiro, bons caçadores e pescadores, e também plantavam mandioca e com ela faziam beiju, farinha e puba. Da natureza eles tiravam tudo o que precisavam para viver.

No ano de 1500 começaram a chegar outros povos, e novas pessoas vieram morar aqui na região: os brancos, de Portugal e outros países, e os negros da África. Os brancos eram os donos das terras e os negros foram escravizados e trabalhavam em várias coisas: na plantação de cana-de-açúcar, de laranjas, na criação de gado, e em outros serviços.

No tempo que o Brasil era dependente de Portugal, o lugar que hoje chamamos Simões Filho, se chamava Cotegipe, depois Água Comprida, e era uma região rica que produzia açúcar para vender em outros países. Hoje em dia é uma cidade pequena, com um povo carente de coisas importantes.     

Seu Manoel, um dos moradores mais antigos da região conta que o Vale do Rio Itamboatá, as terras que vão da Convel até Pitanga de Palmares, mais ou menos a partir dos anos de 1800, eram três fazendas de um único dono: o Coronel Cazuza Teixeira.  Nas terras onde hoje está a Eternit, a Fundação Terra Mirim e a Cerâmica Três Rios, estava a Fazenda Itamboatá. As terras do meio, onde hoje tem Palmares, chamava Fazenda Coqueiro. E a parte que vai até a barragem de Pitanga, chamava Fazenda Pitanga. A família Teixeira tinha léguas e léguas de terras que iam até Candeias por isso lá tem um local com o nome Passagem dos Teixeiras.

Eram fazendas de gado, os trabalhadores derrubavam a mata para pegar madeira e faziam carvão. O Coronel Cazuza mandava os burros para as bocas das covas e carregava os sacos de carvão e conduzia até a rodagem Feira de Santana/Salvador, e ia vender na capital. As fazendas tinham administrador, tinham vaqueiro, carro de boi… A família Teixeira tinha uma riqueza grande.

Depois que o Coronel Cazuza morreu, por volta de 1950, os filhos venderam parte das terras. A Fazenda Itamboatá foi vendida para a Empresa Circular de bondes de Salvador que queria plantar eucaliptos para os postes de madeira. A fazenda Coqueiro foi vendida e loteada e então nasceu a Chácara Palmares, que nós chamamos hoje simplesmente Palmares. A Fazenda Pitanga anos depois foi também vendida e loteada, formando então Pitanga de Palmares

Os antigos funcionários das fazendas eram quase todos negros. Só conheciam o trabalho de fazer carvão, tocar gado, plantar roça, criar animais. Depois que as fazendas foram vendidas eles, ou foram embora, ou tiveram que comprar os seus lotes e construir suas casas de madeira e piaçava como fez a família de Seu Manoel.

No ano de 1960 construíram em Simões Filho o CIA (Centro Industrial de Aratu) que ajudou a mudar muito esta região. Mais esta é uma outra história…

 

Sugestão de Atividades:

. Exposição Participativa sobre o tema (tópicos no quadro)

. Leitura em grupo do texto

. Elaboração em de 5 perguntas sobre o texto

. Jogo de pergunta entre os grupos

 

Antes de 1961 distrito de Salvador com o nome de Água Comprida, Simões Filho hoje é um grande município que vai da beira do mar na Baía de Aratu, possui um enorme parque industrial CIA (Centro Industrial de Aratu), chegando até os limites do Pólo Petroquímico de Camaçari.

 

Devastação de suas matas para construção de Engenhos. Ontem Simões Filho (Água Comprida) foi rica, fausta, produtora de açúcar para exportação. Hoje é um lugarejo rurícola, pobre, igual ao povo que habita suas terras, nascidas de uma usina.

 

Trabalhadores rurais prestavam serviços na fazenda de Dr. Cícero Simões, local hoje conhecido como Km 30, em virtude de ali ficar a placa indicativa do quilômetro trinta da Estrada de Ferro Salvador/Alagoinhas, e onde originalmente se formou o primeiro núcleo de casas da região. Existia também a rodovia Salvador/Feira de Santana. Hoje o trem continua rodando, apitando com suas locomotivas a diesel

Ginga e Malícia, através de Mel

Ação Griô na Escola Municipal Engenho Velho da Federação 

Arte Educação – Atividades

Os Mestres e Griõs envolvidos nessa aula saem tocando seus instrumentos com roupas que os caracterizam, em cortejo festivo pelos corredores da escola para buscar os alunos com os quais irão trabalhar com sua respectiva professora.

Acolhimento: Acolher com alegria do abraço afetuoso de boas vindas

Na roda todos se olham, se abraçam, se acolhem.

Cantam e dançam com alegria

Música: Como pode um peixe vivo

              Viver fora d’água fria

              Como pode um peixe vivo

              Viver fora d’água fria

              Como poderei viver

              Como poderei viver

              Sem a sua                  Bis

              Sem a sua

              Sem a sua companhia?

Todos participam alegremente, se disponibilizando para as outras atividades. A roda dos cânticos, cirandas e folguedos continuam.

“Seja bem vindo a nossa comunidade…”

Ciranda cirandinha;

Vamos todos cirandar, 

Vamos dar ameia volta 

Volta e meia vamos dar.                                 

 

Roseira dá-me uma rosa;

Craveiro dá-me um botão,

Menina dá-me um abraço

Que eu te dou meu coração.

 

O anel que tu me deste,

Era vidro e se quebrou,                                    

O amor que tu me tinhas,                         

Era pouco e se acabou.                                    

 

Eu tenho um vestidinho;

Todo cheio de babado, 

Toda vez que visto ele,

Arranjo logo namorado. 

 

Ciranda, cirandinha…                       

Integração e sensibilização – Na roda sentados nas esteiras o facilitador pede que olhem uns aos outros, com atenção.

Fechar os olhos visualizar mentalmente todos os componentes do grupo presentes.

Mandar energia positiva, pensamentos positivos de união, equilíbrio, disponibilidade.

O facilitador explica que cada um, iniciando por ele, irá dizer o próprio nome se apresentando e uma qualidade que já possui ou que está se trabalhando. O companheiro ao lado repete o nome do companheiro e a qualidade dele, acrescenta o seu nome e a sua qualidade e assim sucessivamente cada um fala desde o primeiro a se apresentar e a qualidade, até chegar a sua vez.

Roda de histórias – Incentivar os alunos a ouvir e contar histórias com identidade e saberes do nosso povo e da nossa comunidade.

Algumas histórias são contadas e escolhem uma, ou algumas para serem reproduzidas através do desenho.

Trilha Ação Griô – Comunidade Engenho Velho da Federação

29 de setembro de 2007.

Hoje foi a nossa primeira trilha Griô na comunidade. Com saída às 10 horas da Escola Municipal do Engenho Velho da Federação. Seguimos cantando, saudando a comunidade com orquestra de berimbaus, agogôs, pandeiros, xequerês, viola, calimba, caxixís. Mestre e Griôs, afiados e afinados fizeram coro. Crianças dispostas, com suas fantasias, participaram alegres, cantando entusiasmadas.

Estava presente colaborando o Ponto de Cultura Unegro com representantes Almir e Vanda coordenadora pedagógica do P. de Cultura deles.

Paramos em vários lugares estratégicos onde houve apresentações de rodas de saberes e idades, brincadeiras, danças, e folguedos,bumba meu boi, capoeira, samba chula, contos etc. Fomos na rádio comunitária, falamos sobre o projeto na rádio, as crianças cantaram canções que aprenderam nas aulas griôs.

O bairro do Engenho Velho é muito rico em cultura. Depois da caminhada maravilhosa voltamos para a escola onde ainda brincamos um pouco e nos despedimos com mantras.

 

Lia Spósito – Griô P. de cultura Ginga e Malicia.

Os meninos dos Pregões

 Adilson abriu a porta e sentiu uma baforada de ar entrando barraco adentro. O galo cego cantou no terreiro, anunciando mais um dia para os habitantes do bairro pobre da periferia de Salvador. O menino lavou o rosto e saiu apressado levando o seu porta garrafas térmicas que ele mesmo fabricou com pedaços de madeira que conseguiu na serraria do seu Antonio.

Sua mãe acorda mais cedo e prepara o café para Adilson vender no Campo Grande, ele é o mais velho dos seis filhos que Dona Maria herdou do marido morto por engano por policiais.

Quando Adilson chega no local que vende cafezinho, o dia já está claro, outros meninos vendedores ambulantes já estão no local, nos pontos de ônibus, mercando, cantando suas guias para chamar atenção dos fregueses.

Adilson não gosta de “mercar”, prefere ficar calado. Observa os outros, sentindo uma vontade danada de ser um bom vendedor de cafezinho, ele vê o menino do picolé caminhando de um lado para o outro do ponto, com voz forçada de gente grande 

Ê picolé, Picolé!

Ê picolé, picolé!

Manga, cajá,

Abacaxi e coco.

Canta seu “pregão” que nos faz lembrar praia, sol quente.

Adilson vê outro companheiro vendedor de cafezinho com um carrinho enfeitado, colorido com várias fitas do Senhor do Bomfim que é para proteção.

 – Óia o cafezinho quentinho, madame vai querer? 

De longe vem chegando a voz conhecida de outro menino vendedor de picolé:

Picolé ai, oi!

Picolé aí oi!

Todos de frutas maduras e boas!

Quem vai? Picolé ai, oi. 

Aí chega um ônibus, é uma festa. Eles sobem invadindo, mercando suas guias. Adilson levanta do banco onde está sentado e corre também para perto da porta do ônibus onde os passageiros descem. Um vendedor de fichas telefônicas aparece sacudindo-as em um copo descartável.

“Três ficha é cinqüenta

  Quatro é um vale!”

 Um menino vendendo balas entra no ônibus.

“Cheguei vendendo

Caramelo e dropes ice kiss.

Pague cinqüenta

Aceito vale, aceito passe!

Eu disse, aceito vale

Aceito passe!”

Adilson volta pro seu lugar desestimulado com sua venda, decididamente nunca será um bom vendedor de cafezinho, não tem jeito, não consegue mercar, cantar, pregar sua guia.

Ah! Ele gosta mesmo é de ir para a escola, ler, escrever aquelas coisas bonitas que dona Lurdes sua professora dita pra ele e seus colegas escreverem.

As poesias que ela lê para os alunos, as histórias que a professora conta. Isso sim, faz Adilson menino vendedor de cafezinho, transformar-se num verdadeiro cidadão. E sonha que quando crescer irá lutar por um país melhor, onde todas as crianças tenham direito a estudar, brincar e que os pais tenham empregos para que os filhos não precisem trabalhar para ajudar no sustento da família.

                             Fim

Conto baiano

Autora Lia Spósito

Junho de 1996

Minha infância e juventude no Engenho Velho da Federação   

Valdina O. Pinto – Makota Valdina

Nasci, fui criada e vivo aqui no Engenho Velho da Federação há 64 anos; eu considero um privilégio ter nascido aqui e ter vivido minha infância e juventude num tempo em que muitos dos valores de comunidades africanas ainda existiam aqui. Quem vem morar no Engenho Velho hoje, as crianças, os jovens de hoje não têm a mínima idéia de como era essa comunidade antes; antes era mesmo uma comunidade, com seu jeito próprio de viver, de educar crianças e jovens, de realizar coisas coletivamente, de se entre ajudar.

Do meu tempo de criança eu guardo na memória, muito boas lembranças do ambiente, de pessoas que me educaram e contribuíram para a formação da pessoa que sou hoje. Naquele tempo, precisamente final da década de 40 anos 50, 60 ainda tinha muito verde, muitas fontes por aqui; as casas, em geral de taipa, as melhores de adobe, cobertas com telhas ou com zinco,  todas elas tinham um quintal onde a gente brincava de dia e um terreiro, o espaço aberto na frente das casas onde a gente ficava de noite quando era lua cheia pra brincar de roda, de adivinhações, ouvir e contar  estórias, e outras brincadeiras. Naquele tempo não tinha problema nenhum se brincar na rua porque não se corria o risco de ser atropelado porque não passava carro na rua, não tinha carro; o meio de transporte era o bonde que se pegava ou no 2º. Arco ou onde hoje é a Av. Garibalde no ponto da Ladeira de S. João.  Por outro lado, a gente não sabia o que era violência, armas, drogas; nada disso fazia parte da nossa vida.  

Tinha muito verde, muito mato, e as crianças naquele tempo não tinham medo de entrar no mato em busca de cajá, sapoti, ingá araçá, cajá-umbu, manga, abiu cacau… Um quintal dava pra outro e o limite eram cercas que dava pra gente pular. Onde é hoje a avenida Cardeal da Silva era chamado de Mata-maroto e onde tem as escolas José de Anchieta, Henriqueta Catarino e Via Magia, toda aquela área era chamada de “quebra-laço” onde a gente ia pegar folhas pra sacudir a casa fim de ano e sábado de aleluia, onde também se colocava muitas oferendas do candomblé. Tinha muitas valas e riachos que desembocavam no rio que passava na linha de baixo, hoje Vasco da Gama. Não existiam ruas largas; eram caminhos por onde passavam as carroças. No final dos anos 50 início dos anos 60 é que começaram os melhoramentos aqui no bairro. Em 1955 foi fundada a Associação de moradores e com isso as reivindicações para os melhoramentos no bairro.  

Na minha infância a gente ia para a escola da mestra Menininha ou Dona Augusta, Professor Osmundo que já ensinava num grau mais adiantado; os meninos, os maiores iam aprender algum oficio, no outro turno, geralmente à tarde com algum mestre carpinteiro, pedreiro, ferreiro, sapateiro, mecânico… as meninas iam para as costureiras, bordadeiras, ou ficavam em casa ajudando as mães e ao mesmo aprendendo a fazer de tudo e ainda sobrava muito tempo para se brincar com as bonecas de pano, fazer cozinhados, andar pelos matos catar frutos, subir nas árvores e fazer todas as estripulias de criança que se tinha direito. Naquela época, como se falava, não tinha escola do governo, hoje se diz escola pública; eram as mestras, os mestres que em suas casas recebiam crianças da redondeza para ensinar aquilo que sabiam; ler, escrever, fazer contas de cor e salteado como se falava naquela época.  Primeiro a gente escrevia as letras e os números na pedra e com lápis de pedra; só depois é que usava caderno e lápis. Carta de ABC, Cartilha do Povo, Tabuada e o caderno de caligrafia e mais tarde o livro de manuscritos onde se aprendia a fazer letras bonitas, redondas, miúdas, graúdas, inclinadas, era obrigatório para todos da minha geração. Depois de passar pela escola dos mestres a gente tinha que fazer um teste na escola do governo, no Rio Vermelho – Eurícles de Matos ou Alfredo Magalhães, pra ver em que série íamos começar naquela escola; mas era muito difícil encontrar uma vaga em escola pública naquela época. Eu consegui entrar na Eurícles de Matos em 1952 na 2ª. Série, com 9 anos e fui até a 5ª. Série.  Na década de 60 já tinha uma casa alugada pelo governo para onde vinham professoras formadas e pagas pelo governo para ensinar, mas era muito pequena só com duas salas de aula; essa escola é a Escola Padre José de Anchieta que hoje funciona num prédio próprio num local que naquela época era puro mato e que a gente chamava de Quebra-laço. Quando eu estava pra me formar em professora primária em 1962 eu estagiei na antiga Pe. José de Anchieta.

Mas falando de aprendizagem, de ensino, de educação é bom ressaltar que a primeira escola da gente naquela época, onde a gente começava a se educar, não era na escola; era dentro de casa mesmo, e com a vizinhança. Os pais, os adultos daquela época, à sua maneira era quem realmente educava, quem mostrava e dizia como se comportar. Os valores para se viver e interagir entre nós crianças ou jovens e com os adultos aprendíamos na família, na comunidade, no dia-a-dia vivendo o jeito de viver da comunidade do nascer ao morrer, celebrando as datas festivas, se juntando para construir casas, consertar as ruas, limpando as fonte, enfim, todos os acontecimentos eram compartilhados. Tinha alguns conflitos? Claro que tinha!  Mas, a polícia era nós mesmos. Se um “bate-boca”, um “arranca rabo” começava, chegava um mais velho e terminava no “aquieta – acomoda”  e a harmonia voltava a reinar.

Uma lembrança pra mim muito gostosa é a que eu chamo do rito de nascimento daquele tempo; dos catorze filhos que minha mãe teve eu sou a terceira, e a mais velha das mulheres. Quando minha mãe ficava grávida era hora de preparar as “roupas de pagão”, ou seja, as roupas do novo “neném”, do bebê que ia nascer; toda ela era costurada na mão com meio ponto, que desde cedo, sentada na esteira aprendi a costurar e conforme a forma da barriga e alguns sintomas que minha mãe já sabia se era menino ou menina, se escolhia as cores azul, verde, amarelo bem claro para os meninos e cor de rosa para as meninas; era tempo também de marcar as fraldas de tecido de algodão com ponto de cruz, colocar a “consertada”  de infusão; a consertada que alguns também chamava de meladinha era uma beberagem feita com cachaça, cebola branca, losna, poejo e mel que atuava como remédio para a parida no sentido de consertar o útero da mulher limpando, ajudando a botar pra fora os resíduos do parto, mas também era a bebida que se oferecia a quem fosse visitar a mulher durante o seu resguardo de parto; lembro de minha mãe ou minha avó Maria de Pedro me mandando ou um dos irmãos mais velho avisar as pessoas pra ir tomar a consertada e as pessoas já sabiam que a mulher já tinha parido.  O banho do recém nascido era cercado dum verdadeiro ritual: álcool misturado na água, um óleo que a parteira usava cruzando o peito e as costas da criança, também com os dedos polegar e indicador se marcava covinhas nas bochechas e acima das nádegas; as roupinhas e mesmo a criança eram incensadas. Qualquer pessoa que passasse na rua sabia que um recém nascido estava tomado banho pelo cheiro do incenso, mas também pelo cheiro do escaldado de galinha; isso é que era gostoso! Todo dia, depois do banho do neném, ficávamos no pé da cama esperando o bolo do pirão dado pela nossa mãe. Quando caía o umbigo da criança, era enterrado no fundo do quintal; aí então podia se levar a criança pra rua e a primeira saída era sempre pra se levar no Bomfim. Do mesmo modo quando começava a se firmar em pé e a dar os primeiros passos a criança era de novo levada ao Bomfim. 

Quando se morria naquela época o velório, que naquela época era chamado de sentinela, era feita em casa e, quando a sentinela ocorria durante a noite era regado a mingaus, café com bolachas e broas ( muito mais gostosas que as de hoje ) acompanhado de muitos casos e relembrando os feitos da pessoa morta; em geral se relembravam os fatos engraçados da vida do defunto ou da defunta. Havia sempre alguém que de vez em quando puxava rezas, rezava rosários. O morto era levado a pé para o Campo Santo e na volta se servia alguma merenda para as pessoas que iam para o enterro, que era feito sempre no chão; naquela época só se enterrava em carneiras quem tinha posses.

Até a década de 60 não tinha igreja aqui no bairro. Eu lembro que o que tinha mesmo aqui era muitas casas de candomblé, de todas as nações de candomblé. Quem era católico tinha que ir para a igreja de Santana no Rio Vermelho ou pra Vitória. De tempo em tempo tinha as Santas Missões e aí se fazia batizados, crismas, casamentos, realizava-se missa campal, etc. Na década de 70 foi construída a igreja da Santa Cruz

Naquele tempo, as crianças, os jovens tinham mais respeito pelos mais velhos; não se passava por um mais velho sem tomar a bênção e, se a gente estava brincando na rua e fazia alguma coisa errada, qualquer mais velho, até mesmo algum jovem de mais idade tinha o direito de reclamar e as crianças obedeciam e , quando tinha alguma criança mais atrevida e que ousava responder ao mais velho e os pais vinham a saber, podia esperar surra na certa. Mas também se a gente estava longe dos pais brincando na rua e acontecia alguma coisa com uma queda, um ferimento, qualquer adulto ajudava primeiro pra depois avisar aos pais.

Havia muitos festejos naquele tempo; durante o ciclo natalino tinha bailes pastoris, terno de reis, representação de comédias. Durante o carnaval tinha a batucada Terror do Samba, blocos, cordões que saiam daqui indo até a Fazenda Garcia. Sábado de aleluia tinha queima de judas com leitura de testamento, domingo de páscoa não faltava o pau-de-sebo, o quebra-pote, corrida de saco. Em junho em grande parte das casas se rezava o Santo Antônio e rolava muito samba; quando o dono da noite era mais abastado e na última noite que geralmente era do dono da casa a festa era de jazz . No São João, como no carnaval, grupos se vestiam igual e saíam de casa em casa com o samba, visitando os bairros próximos e grupos  de outros bairros também vinham pra cá; depois na década de 80 influenciado pelo Engenho Velho de Brotas, criamos o Festival de Sambas Juninos aqui também.

Desde a minha infância duas coisas que sempre teve aqui no bairro como diversão foi o samba de roda e a capoeira e os primeiros e mais antigos templos religiosos daqui foram as casas, os terreiros de candomblé e eu espero que todo e qualquer avanço, desenvolvimento que chegue até aqui não destrua o que ainda temos até hoje.

A Lenda do Guaraná

Mito dos Índios Sateré – Maué

Textos e ilustrações Ciça Fittipaldi

O guaraná é gozado. A casquinha dele abre e lá dentro tem um olhinho espiando a gente.

Diz que lá na lonjura do tempo, no comecinho de todas as coisas, existiam três irmãos. Dois eram homens, e a irmã, Onhiamuaçabê, era moça bonita, também chamada Uniaí.

Uniaí era dona do Noçoquem, um lugar encantado, do encantamento mais bonito que a terra tinha. Só ela conhecia todas as plantas de lá. As de comer, as de fazer remédios, de fazer cuia, de tirar contas pra fazer colar. Tudo que os irmãos precisavam, ela é que sabia. Mas ia mostrando aos poucos.

Foi ela que plantou no Noçoquem, uma castanheira que cresceu muito, ficou alta demais da conta!

Uniaí não tinha marido.

Naquele tempo, os bichos também eram gente e todos gostariam de casar com ela. Os irmãos de Uniaí não queriam: melhor que ela ficasse pra sempre com eles., arrumando tudo que precisavam.

Entre os bichos, a cobra foi a primeira a expressar o seu desejo.

Todos os dias espalhava no caminho um perfume, que alegrava e enternecia o coração de Uniaí.

Ela passava por lá e admirava:

Que perfume gostoso que tem aqui!

A cobra sempre ali perto, de tanto ouvir elogio, acabou se animando:

— Ela gosta de mim eu não disse?

E foi esticar-se mais adiante, no meio do caminho.

Quando a moça passou, a cobra olhou com firmeza nos olhos dela e desejou que fosse sua esposa. Com este simples encanto, qualquer alguém, árvore bicho, ou gente, já estava casado e gerava um filho.

Assim, Uniaí ficou grávida, no encantamento de um perfume.

Seus irmãos não gostaram nada, nada:

— Agora ela só vai cuidar da criança, não arranja mais nada pra gente.

Ficaram furiosos! Não queriam ver a irmã com filho, de jeito nenhum.

Então ela foi embora do Noçoquem.

Nesse tempo, a castanheira já tinha espalhado a sua copa como um céu verde de tão grande. E nos galhos pendurava seus ouriços, que nem caixinha de surpresas, que são as castanhas que tem dentro.

Uniaí fez sua casa bem longe, perto de um rio. A criança nasceu forte e bonita. Ela banhava a criança no meio de tantas borboletas que gosta da beira da água. E lá foi crescendo o menino, cada vez mais forte e mais bonito.

Uniaí contava pra ele as histórias do Noçoquem, contava das plantas, dos tios, da castanheira.

Logo que aprendeu a falar o menino desejou:

— Também quero comer castanheiras. Quero as frutas que os tios tanto gostam.

— Está difícil meu filho. Agora seus tios tomam conta do Noçoquem.

a gente não pode entrar lá.

O menino, porém continuou a pedir as frutas tão boas de comer.

— Está perigoso, meu filho. Seus tios colocaram de guarda a cotia, o periquito e a arara.

— Mesmo assim eu queria…

Queria porque queria. Querer é desejo.  Foram.

Aconteceu que a cotia, passando pelo Noçoquem, viu no chão, debaixo da castanheira, as cinzas de uma fogueira, onde tinham assado castanhas. Correu, foi contar. O periquito também viu, e a arara confirmou.

Daí, os dois irmãos decidiram mandar o macaquinho-boca-rocha tomar conta da castanheira:

— Se aparecer alguém, alguma gente, algum menino, trate de pegar e sumir com ele.

No dia seguinte o menino queria comer mais castanhas. Como já sabia o caminho do Noçoquem, foi sozinho mesmo.

Desta vez o macaco viu o menino subir na castanheira.

Bem escondido pelas outras árvores, armou o arco, disparou flechas.

Caiu um montão de castanhas, caiu o menino junto.

Quando deu por falta do filho, Uniaí saiu correndo para o Noçoquem. Correu, correu o mais que podia.

Uniaí encontrou seu filho sem vida nenhuma. Soprou, soprou, nada.

Aí chorou, chorou muito e triste, triste, chorou tanto!

Seus tios fizeram isso.Queriam você desse jeito, sem vida.

Mas não será assim! De você faço a semente da planta mais poderosa que já se viu!

E, plantando a criança na terra, como que cantava:

“Grande será curador dos homens!

  Todos terão que recorrer a você

   Pra acabar com as doenças, ter força na guerra,

   Pra ter força no amor.

   Grande será!”

Primeiro do olho esquerdo do menino nasceu uma planta

Que não era forte. Era o falso guaraná, que ainda existe e os índios chamam

 de “uaraná-hop”. Depois, do olho direito, nasceu o guaraná verdadeiro, que os índios chamam de “uaraná-cécé”. Por isso é que o guaraná é assim que nem olho de gente.

Dias depois, Uniaí foi ver a planta que criou. O guaraná estava grande, cheio de frutas. Debaixo do guaraná, encontrou seu filho, alegre, forte, lindo.

Este menino que nasceu que nem planta, de dentro da terra, foi o primeiro índio Maué.

Ele é a força e a vitalidade. Ele é a origem da tribo.

                                           Fim

Relatório do Mestre Braço de Ferro Mestre tradição oral.

Ponto de Cultura de Capoeira Ginga e Malicia.

Projeto: Ação Griô (cultura viva)

Esse é o  grupo de tradição oral  que desenvolve rituais semanais e aulas. Espetáculos com cantorias, danças e contação de historias que vincula um participante com a sua ancestralidade, é um junto simples e bonito de ensinar e aprender, com as brincadeiras, arte, ciência e mitos, com Mestre Marinheiro, Mestre Nelito,Professora Lia Professora Vera, Professora Valdina,

Pró Mel e Mestre Manoel,

Recomeçamos ensinar na escola Municipal do Engenho Velho da Federação, com a parceria educadora Vera Almeida e colaboradora do projeto Ação Griô e as professoras da super cidade. 

Uma apresentação na Escola, de teatro e a história,os versos, encontraram  os garotos aprendizes, que compareceram na aula, eu acho que os meninos estão mais felizes. Estão amando um aos outros, estão mais amigos, a professora Lia fala sobre a qualidade de cada um deles. Braço de Ferro fala dos seus versos, Mel conta  e canta histórias, Nelito fala sobre os instrumentos a cada um deles, Marinheiro fala sobre capoeira tradicional criada pelo Mestre Bimba.

Os meninos viajam nas explicações de todos os Mestres, a professora Valdina  Mestre Braço de Ferro e Mel falam sobre as escravidões.

Só conhecia as historias terríveis que os mais velhos contavam, lembrando da escravidão da senzala. Da humanidade, das mortes dos Navios Negreiros.

Em 1670, Palmares vive seu apogeu, mais 50 mil habitantes livres, distribuídos em vários mucabos, Zumbi é responsável pela muita mudança que aconteceram neste ano, os mucabos de escravos invadiram tudo que por lá existia.

Com pareceria com a Escola Municipal Engenho Velho da Federação, fortalece o nível pedagógico e político internacional.

Projeto Ação Griô 

Quando iniciamos o projeto Ação Griô na Escola Engenho Velho da Federação em julho de 2007, foi um salto muito significativo. Acolhíamos os educandos com músicas, sentados em esteiras no chão. Sensibilizados, disponíveis, despertos para o novo tão antigo que é a arte de ouvir, criar, contar, cantar e dançar a tradição oral da nossa cultura, do nosso saber de matrizes africanas e indígenas. E assim nasce um novo momento, uma nova história na escola e na comunidade da antiga “Baixa da Égua” hoje Rua Neide Gama. Onde velhos Mestres e Griôs, moradores, muitos nascidos e criados no bairro do Engenho Velho da Federação. Contam, cantam e dançam a história do bairro e de suas tradições.  A pedagogia que o Ponto de Cultura Ginga e Malicia abraçou resgata os costumes, os saberes, a identidade do indivíduo, através da capoeira, do teatro, música, folguedos, 
 O educador do projeto Ação Griô tem por meta trabalhar uma nova pedagogia, novos paradigmas, novas posturas pedagógicas que integram os saberes da tradição oral, história de vida de cada educando e educador, o fortalecimento da sua identidade e da sua ancestralidade. Possibilita e incentiva os estudantes a expressarem todas as suas potencialidades de seres humanos. A vitalidade, isto é, o potencial que nos faz estar na vida com coragem, disposição, alegria e entusiasmo; a Criatividade é a possibilidade de criar, de participar, de transformar e de expressar os sentimentos; a Afetividade é a alegria da relação afetiva, da amizade, do amor, do vínculo, da solidariedade e do altruísmo; a Transcendência, a busca pela harmonia, pelo equilíbrio, fazemos parte da criação divina, fazemos parte do cosmo.O novo educador, que exige uma mudança existencial, uma nova maneira de ver o mundo, um novo paradigma. Ao contrário do currículo que o sistema de educação, propõe às escolas, que é castrador,  que impõem um enquadramento militarista e etnocêntrico. Com valores e visão unilateral, que leva a um processo de embranquecimento e exclusão, O educador griô propõem levar a sala de aula o brincar o jogo, os  rituais africanos e indígenas, jogos e brincadeiras. (que pode ser com um instrumento, um acessório, um chapéu, uma espada de madeira, uma flor um sapato etc.) As atividades acontecem de forma espontânea, o círculo gira o tempo todo, e as histórias vão ganhando forma, os personagens vão surgindo, os corpos vão significando, os olhares se afirmando, o ritual acontece. A musicalidade é algo fundamental assim como as longas pausas que constitui o momento.   

 Ação Griô é o reconhecimento de um percurso de educação e da pedagogia do afeto, pois, quando atuamos em educação, o importante é nos indagarmos o porquê escolhemos esta área? Qual o nosso compromisso com os educandos?  E o que desejamos para inovarmos?

 

Ponto de cultura Ginga e Malícia

O griô aprendiz

A benção

A todos os presentes os ausentes, aos mais novos e aos mais velhos

Um trabalho de resistência, persistência de encantamento e conquista do griô aprendiz. A principio conquistar a escola não foi lá muito fácil, o corpo docente se manteve muito resistente ao projeto ao contrário das crianças.  Propor uma rede de articulação dialógica através das sistematizações, das capacitações continuadas na escola, fazer o intercâmbio entre os outros pontos de cultura de Salvador que estão inseridos no projeto ação griô. Reunir os mestres a fim de avaliar  cada contribuição, sensibilizar  os professores, porém a gestão resiste ao projeto inviabilizando muitas vezes o contado dos griôs com a escola.

Salvador que integram o projeto ação griô (Mel, como fica essa frase?)

Propor uma rede de articulação dialógica através das sistematizações das capacitações continuadas na escola propondo um intercâmbio entre os outros pontos de cultura de, pois quando passamos as pessoas já dizem: – Olha os Griôs!

 

Esse espaço que criamos e que valoriza a ancestralidade, o saber ouvir e falar, a esperar, escutar o silêncio, sentir a nossa espiritualidade, e quebrar tabus e ressentimentos, um lugar de seres humanos, feito com humanos e para humanos.

 

O cantar, o dançar, o jogar e o tocar não apenas os tambores, mas, o outro, através das histórias cantadas e cantadas. (?)

 

Recebemos, inclusive, dona Cici na escola . As roupas são de sambadeiras e sambadeiros de sambaxula, esta minha roupa que está sendo construída com a  oficina de retalho da escola, nós utilizamos atabaque berimbau, fazemos sempre a caminhada e levamos as crianças para o local de aula, passamos a receber convites dos educadores para participar da semana pedagógica, mostramos o que é a pedagogia griô num congresso de educacao de Lauro de Freitas, nós produzimos um material especial com a pedagogia griô , educação biocêntrica, fizemos um material de histórias. A príncipio, chegou a gente que isso era coisa de candomblé e coisa do diabo, e a gente teve que mostar que a gente tarbalhava com religiosidade, com a sabedoria integral, ameaçaram tirar a criança da escola, e nós conversamos para ela vir assistir, foi um sacrificio para ela ir, mas conseguinmos que ela fosse e vencesse o preconceito. Tem histótias da cor da cultura. Tem uma questao deles nao se aceitarem como negro, podem aceitar grafite, mas não negro e como é que a gente faz  diante disso. Temos as histórias de contos africanos, e outros contos,  e a programacao do curso todo na escola, nós apresentamos o plano todo para a escola. A gente divide a bolsa com a  educadora, ela era aposentada e voltou porque ficou encantada, a gente chama de aula espetáculo, caminhada. O material é uma dificuldade, nosso material didatico são as pessoas, a comunidade a gente faz.

 O ação griô , mexeu com toda a minha vida, eu como professora já não sei trabalhar sem essa questão dos griôs, foi muito louca porque os professores se vêm de novo como brincantes, os professores se reportam a memória emotiva, eles acabam lembrando de memórias das mães e valorizando eu local de origem, se percebendo, eu aprendi a olha com outro olhar a sabedoreia dos mais velhos, na métropole o que está presente e chega de imediato é que tem valor e vc voltar no tempo, e ouvir, é muito novo, na verdade, eu redirecionei meu caminhte, o de educadora, não quero mais esse achimo de fingir que ensino e meus educandos fingem que aprendem. Quando a gente passa na rua as crianças já falam, lá vai o griô. Mestre Nelito falou que poucas vezes eu me emocionei na vida como agora. A gente trabalha também a pedagogia do afeto. O que a gente faz  quando um menino diz que o outro é de nariz de panela, nego tifu, cabelo duro, nao pode fingir que nao ouviu. A gente tem que trabalhar o respeito ao outro.

O que podemos acrescentar, revisto, refeito a que já fazemos, e com quem, e ser aprendiz. 

Bom, como a gente vai chamar este projeto, a gente chamou de construção de alguma coisa; foi mestre braço de ferro, depois a gente foi para caminhos do coraçao, outra pessoa falou os te faz com muita verdade sabedores da baixa da égua, porque a gente, não é fácil concorrer com bbb, 78910.000 da globo,  Nossa parceira educadora é mais parceira do que a gestao da escola, tenho aprendido muito com todos eles. Minha consciência negra é de todas as cores, é Macota, que é uma consciência negra no dia-a-dia, na hora que vai numa loja e te tratam diferente, é sistemática todos os dias, a todos os momentos. Nós trabalhamos com a metodologia da circularidade, tudo provoca a roda em qualquer lugar, e com a oralidade, e a ludicidade, com a brincadeira do boi, da coca a gente aprende com a vida, a memória , a religiosidade.

Capacitaçao com professoes.

Sobre a canção da identidade de cada um.

 

É uma proposta de  Educação viva expressa no dia-a-dia de pessoas e saberes que fazem e refazem o aprendizado, encenando, aplicando, criticando e politizando, é assumir uma postura que “desafia” a sala de aula e que transforma com ousadia, criatividade, com harmonia e  confiança é um aprender constante, uma relação entre a teoria e a prática.

Educação é também descoberta de saberes extra-sala de aula (academia) é o fazer, refazendo, com emoção, afetividade, experimentação e busca de novos métodos. É Um caminho que nos deixa a  vontade para “curiosear” as varias possibilidades de transformar a sala de aula oportunizando os saberes que compõem a nossa diversidade cultural. A escolar como local de encontro que pode ser , resignificado, afetuoso, um, local que nos condiz às reflexões a partir do pensar dos educandos e educadores, que nos permite saber um pouco mais da história de cada um. Sua trajetória na busca do acontecer evolutivo e continuo construído a partir das nossas conquistas, dos nossos acertos e erros, mas, sobre tudo, a partir do desejo de “Marcar” o outro, educar deixando sensações, emocionar a nossas lembranças através da capacidade de sonhar.

O reconhecimento da ancestralidade, o saber ouvir e falar, a esperar, escutar o silêncio, sentir a nossa espiritualidade, quebrar tabus e ressentimentos, um, lugar de seres humanos, feito com humanos e para humanos.

O cantar, o dançar o jogar, e o tocar não apenas os tambores, mas, o outro, através das histórias cantadas e contadas.

 Uma pedagogia que transcende o tempo, que inova e compartilha saberes, que nos faz descobrir o nosso lugar de origem, descortinar os mitos, refaz a estética da sala de aula. Educação de tradição oral, dialógica, política, onde o ensinamento é compartilhado a partir de coisas concretas – ensinamento dos princípios e valores. Uma educação que entendemos ser protagonica e real é o aqui e o agora, passado, (ancestralidade) presente (nos) Futuro (sociedade). Educação das relações étnico-raciais e inserção da cultura afro e indígena. Educar Vivenciando as manifestações culturais identificando a sua história  como história da comunidade.

Valorizar da família, o ser solidário, cuidar do outro, a ato de pertencimento, religiosidade, descendência, ancestralidade,

Respeitar os mais velhos e identificá-los como Mestres e Griôs de Tradição Oral: sabedoria Popular. A Ação Griô vem resgatar a figura do velho que é sábio que entende dos segredos da vida, que vincula e veícula o saber da ancestralidade, da tradição.

São contadores e cantadores das tradições orais. São caminhantes que não desistem. Nem com as tempestades, nem com o sol escaldante. Estão sempre atentos. Seu canto de viola, o cordel, os repentes, as quadras, os mitos africanos, as lendas indígenas, as cantigas de ninar, as rodas, cirandas, maracatus e sambas vão repassando, cuidando para aqueles que aprendem não esqueçam jamais quem são. Sua origem, sua história, seus antepassados, seus ancestrais indígenas. E assim nasce um novo momento, uma nova história na escola e na comunidade da antiga “Baixa da Égua” hoje Rua Neide Gama. Onde velhos Mestres e Griôs, moradores, muitos nascidos e criados no bairro do Engenho Velho da Federação. Contam, cantam e dançam a história do bairro e de suas tradições.  A pedagogia que o Ponto de Cultura Ginga e Malicia abraçou resgata os costumes, os saberes, a identidade do indivíduo, através da capoeira, do teatro, música, folguedos.

O educador do projeto Ação Griô tem por meta trabalhar uma nova pedagogia, novos paradigmas, novas posturas pedagógicas que integram os saberes da tradição oral, história de vida de cada educando e educador, o fortalecimento da sua identidade e da sua ancestralidade. Possibilita e incentiva os estudantes a expressarem todas as suas potencialidades de seres humanos. A vitalidade, isto é, o potencial que nos faz estar na vida com coragem, disposição, alegria e entusiasmo; a Criatividade é a possibilidade de criar, de participar, de transformar e de expressar os sentimentos; a Afetividade é a alegria da relação afetiva, da amizade, do amor, do vínculo, da solidariedade e do altruísmo; a Transcendência, a busca pela harmonia, pelo equilíbrio, fazemos parte da criação divina, fazemos parte do cosmo.O novo educador, que exige uma mudança existencial, uma nova maneira de ver o mundo, um novo paradigma.

Ao contrário do currículo que o sistema de educação, propõe às escolas, que é castrador,  que impõem um enquadramento militarista e etnocêntrico. Com valores e visão unilateral, que leva a um processo de embranquecimento e exclusão, O educador griô propõem levar a sala de aula o brincar o jogo,os  rituais africanos e indígenas, jogos e brincadeiras. (que pode ser com um instrumento, um acessório, um chapéu, uma espada de madeira, uma flor um sapato etc.).As atividades acontecem de forma espontânea, o circulo gira o tempo todo, e as histórias vão ganhando forma os personagens vão surgindo os corpos vão significando os olhares se afirmando o ritual acontece.A musicalidade é algo fundamental assim como as longas pausas que constitui o momento.   

 Todos se apresentam e pede a benção.(o dar e o receber). E a roda das sensibilizações do doar e do receber energia  corpórea a quebra do orgulho e da vaidade.(seu coração em meu coração, meu coração em seu coração quebra-se o orgulho quebra-se a vaidade eu beijo sua mão tu beijas minha mão).Abraço afetuoso.Finalizamos na circularidade onde a celebração da vida acontece.   ­­­­­­­­­­­­

Cases:

Gabriela, 11 anos, 3° série.

“A aula da Ação Griô é boa. Tem Bumba Meu Boi tem caminhada, o teatro, a dança indígena, a aula de história africana, a capoeira.

Nas aulas tem o professor Nelito, Marinheiro, Braço de Ferro, Lia Vera, Macota, Mel.  “Tem tudo isso e tem aula de percussão e de várias coisas.”

Alessandro 12 anos

“Eu sou novo na Ação Griô, por isso que não sei direito sobre essas aulas, mais eu sei que é muito bom.”

Marcela 3° série

“Nós já brincamos da brincadeira do pisa no milho, nós já cantamos a música da pedra da índia, e também os índios vieram aqui na escola e dançaram. Contou as histórias dos indígenas, dos negros, e já fizemos passeata pelo bairro e o teatro do bumba meu boi.”

Sabrina 3° série.

“Ação Griô é um negócio importante, ensina muitas coisas importantes.

Tem música, dança brincadeira, teatro.

Lá no mar tem uma pedra, nessa pedra mora uma índia.

Eu sou negra, eu gosto de ser negra.

Mas tem gente que não gosta. “Mas eu gosto de ser negra e dos índios.”

Emilia 10 anos

“A Ação Griô é muito boa.

Ensina sobre a nossa cultura brasileira, a nossa verdadeira identidade cultural. Eu sempre vou para Ação Griô porque vale à pena. A gente canta música indígena, música brasileira. Eu aprendo muita coisa na ação griô.

Pró Mel é linda, pró Vera também, pró Lia é muito legal.

“O Ação Griô é muito, muito, muito legal.”

Adriana 11 anos. 

“A ação Griô ensina coisas interessantes. Histórias do bairro, coisas da vida, a cultura africana, a literatura de cordel. Já fiz uma caminhada pelo bairro, fomos na rádio. Pretendo fazer mais passeata com os professores griôs, e quero me esforçar para ser uma menina griô.”

“A Ação Griô ensina a ser griôzinho aqui.

Griozinho é ser griô pequeno. Eu sou uma griôzinho. Meu nome é Michele uma aluna do Griô. “
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mapa da Rede de Transmissão Oral da Ação Griô Nacional

Rede de Transmissão Oral do Brasil

Lista de regionais com Pontos de Cultura, griôs aprendizes articuladores e assessorias

1 – Regional Bahia – 8 Pontos

Griôs Aprendizes e articuladores: Nilê Griô e Márci Griô

1 – Araci - Capoeira Cidadã Arte e Cultura – Gerdson

2 – Salvador - Capoeira Instrumento de Educação - Mel Edmeia

 

3- Simões Filho - Cultura Direto: Direito de Todos Wayra

 

4- Salvador - Índios On Line

 

5- Salvador - Pierre Verger no Centro da Cultura Afro-Brasileira – Ângela e Sandro Espantalho

 

6- Santa Luz - Expressões Sertanejas Solange

 

7- Cachoeira - Terreiro Cultura

 

8- Salvador - UNEGRO

 

 

2 – Regional Ventre do Sol – 8 Pontos AL/PE/RN

 

Griô aprendiz articulador: Guitinho de Xambá

Assessoria de Lúcia dos Prazeres

 

9 – AL – Piaçabuçu – Caminhos de São Francisco

 

10 – AL – Arapiraca – Cultura para o Desenvolvimento

 

11 – PE  - Olinda – Carnaval da Ala Alafin Mimi

 

12 – PE – Olinda – De antena ligada

 

13 – Olinda – Memória e Produção de Cultura Popular Coco de Umbigda

 

14 – PE – Aliança – Estrela de Ouro

 

15 – Pendências – Casarão de Ofícios

 

16 – RN – Natal – Conexão Felipe Camarão

 

3Regional Brasil Central – 8 Pontos DF/ES/GO/MG

 

Griôs aprendizes articuladores: Chico Simões e Fabíola Rezende

Assessoria de Cláudia Monteiro

 

17 – DF – Brasília – Cultura Viva Timbira

 

18 – DF – Brasília – Espaço Cultural 100 Dimensão

 

19 – DF – Brasília – Oficina Teatro Mamulengo Presepada Brasileira

 

20 – ES – Vitória – Projeto Manguerê

 

21 – GO – Pirinópolis – Interarte

 

22 – MG – Congonhas – Casa da Juventude

 

23 – MG – Viçosa – Centro de Cultura Popular e Folclore de Viçosa

 

24 – MG – Santana do Riacho – Ponto de Cultura e Ambiental da Serra do Cipó

 

25 – MG – Nova Lima – Tecnologia como Transformação Cultural

 

4 – Regional da Águas – 8 Pontos CE/AM/MA/PA/PI/RR

 

Griô aprendiz articuladora: Catarina Ribeiro

Assessoria de Ruth Cavalcante

 

26 – CE – Missão Velha – Centro de Cultura Gameleira de São Sebastião – Joseane e Dalila

 

27 – CE – Fortaleza – Projeto Escola de Arte – Rafael e Damasceno

 

28 – CE – Cascavel – Projeto Lampião de Arte e Cultura – Zé Roberto

 

29 – AM – Tabatinga – Amigas da Cultura e do Esporte

 

30 – MA – Viana – Santo de Casa Faz Milagre – Laurinete

 

31 – PA – Santarém – Espaço Cultura na Amazônia – Luan

 

32 – PI – FlorianoCultura ao Alcande de Todos

 

33 – Rorainópolis – A Bruxa Tá Solta – Catarina

 

5 – Regional Rio – 8 Pontos RJ

 

Griô aprendiz articulador: Alexandre Santini

Assessoria de Lílian Pacheco

 

34 – RJ – Rio de Janeiro – América: Arte e Cultura na Baixada – Mary e Jairo

 

35 – RJ – Rio de Janeiro – Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha – Firmino, Nathércia e Pablo

 

36 – RJ – Rio de Janeiro – Escola de Jongo da Serrinha – Carlos

 

37 – Vassouras – Integração pela Música – PIM

 

38 – RJ – Rio de Janeiro – Orquestra de Violinos

 

39 – RJ – Estação Barão de Mauá

 

40 – RJ – Duque de Caxias – Projeto Arte, Cultura & Cidadania – Alexandre Marques

 

41 – RJ – Rio de Janeiro – Tá na Rua – Alexandre e Jane

 

6 – Regional da Terra – 9 Pontos

 

Griôs aprendizes articuladores: Jaqueline Baumgratz e Celso Pan

Assessoria de Fátima Freire

 

42 – RS – Ronda Alta – Centro Cultural Kanhgág Jãre (Raízes do Kaingáng) – Carlos

 

43 – RS – Pelotas – Chibarro – PC Paulo

 

44 – RS – Alvorada – De Olho na Cultura – Vander

 

45 – RS – Porto Alegre – Maria Mulher – Nice de Deus

 

46 – SC – Rio do Sul – Anima Bonecos – Nazareno

 

47 – SC – Lages – Cultura Nativa no Caminho das Tropas – Grillo Seco

 

48 – SP – São José dos Campos – Bola de Meia – Jaque e Celso

 

49 – SP – Amorim Rima – Mestre Alcides e Rodrigo Pança

 

50 – SP – Cananéia – Vivendo Arte e Cultura – Helô e Rodolfo