Ponto de Cultura Popular e Folclore de Viçosa – Humanizarte
Ação Griô Nacional
A cada ponto um Ponto
Para podermos falar sobre a ação do Ponto de Cultura Popular e Folclore de Viçosa primeiramente devemos fazer um breve relato do Centro Experimental de Artes da Prefeitura de Viçosa e da Humanizarte ONG.
No tempo em que foi Secretário Municipal de Cultura de Viçosa, o professor, diretor de teatro e produtor cultural, Marcelo Andrade, plantou a semente que germinaria o Ponto de Cultura Popular e Folclore de Viçosa. Isso foi quando ele criou o Centro Experimental de Artes da Prefeitura de Viçosa, no ano de 1993, para integrar, através da cultura, as crianças de escolas públicas e assim resgatar a cultura da cidade através de oficinas de teatro, artes plásticas, música, dança, capoeira, contação de estória, desenho artístico, banda de música e viola.
O modelo pioneiro e de sucesso da iniciativa ocasionou no ano de 2001 o acolhimento do Centro Experimental de Artes pela empresa de telefonia móvel TIM Maxitel. Essa parceria possibilitou a replicabilidade da ação para mais de 11 municípios do estado de Minas Gerais( Araxá, Barbacena,Divinópolis,Lavras, Montes Claros, Ponte Nova, Poços de Caldas, Uberlândia, Uberaba, Ubá e Varginha). Criada em 2002, a Humanizarte ONG atua de forma relevante nos meios acadêmico, artístico e cultural não só na cidade de Viçosa, mas também no estado de Minas Gerais e em outros estados do país.
Atualmente a ONG coordena os Programas TIM ArtEducAção e TIM Estado de Minas Grandes Escritores e o Projeto Reciclarte. O ArtEducAção atende cerca de 10.000 crianças e adolescentes de escolas públicas, em 12 cidades do interior de MG (Araxá, Barbacena, Divinópolis, Lavras, Montes Claros, Poços de Caldas, Ponte Nova, Ubá, Uberaba, Uberlândia, Varginha e Viçosa), 12 cidades da Bahia e 02 de Sergipe, promovendo a inclusão sócio-cultural através de oficinas de arte e causando impacto nas políticas públicas municipais e estaduais. A caravana literária do Grandes Escritores estimula o amor pela leitura e o conhecimento da vida e da obra de grandes nomes da literatura brasileira promovendo um bate-papo descontraído e informal entre o escritor e seu leitor. Além de promover a doação de livros de literatura para rede de bibliotecas públicas e estaduais das cidades que fazem parte do programa. No âmbito da consciência ambiental a ONG coordena o Reciclarte, que leva treinamento a comunidades de baixa renda, e produz objetos e produtos de material reciclado (papel e garrafas pet).
Revolução educacional
No que diz respeito ao Ponto de Cultura Popular de Viçosa, as atividades são embasadas no resgate das tradições culturais e folclóricas de Viçosa. A ação ocorre através de pesquisas registradas em vídeo e áudio para serem veiculadas na Internet por softwares livres e também nas escolas e praças públicas.
Um ponto positivo para o desenvolvimento da iniciativa em Viçosa está na atual administração municipal. O prefeito Raimundo Nonato da “Violeira” é um profundo incentivador da causa, apresentando o encantamento de contador de causos e de andarilho, ações essas que se encaixam perfeitamente nas de um Mestre Griô. Foi ele quem pediu pessoalmente a Marcelo Andrade que investisse todo seu empenho para que a cidade resgatasse a sua cultura. Foi nesse cenário que Marcelo se esforçou e conquistou o Ponto de Cultura Popular e Folclore de Viçosa. Essa aquisição foi ao mesmo tempo uma vitória para a memória da cultura local, como um êxito brilhante da administração do prefeito Raimundo da “Violeira” no campo da cultura e educação. O Ponto de Viçosa apresenta como gestora a Secretária de Cultura, Esporte, Lazer e Patrimônio de Viçosa e coordenadora executiva do Programa TIM ArtEducAção nos 12 municípios de Minas Gerais, Virgínia Lúcia Bittencourt Moura.
“O projeto da Ação Griô em nossa escola é importante porque me faz sentir que quando crescer posso ser melhor por ter observado as visitas deles aqui na escola. Aprendo muito sobre histórias, canções, e como usar o instrumento, principalmente a viola. Essas visitas poderiam acontecer mais vezes porque incentiva o aluno a vir na escola”.
Cleisson Júnior Donato Santos – 4ª série – 9 anos
Os convênios com a Prefeitura de Viçosa – especialmente com a Secretaria de Cultura – e com a Humanizarte ONG, agregam ao Ponto de Cultura de Viçosa uma experiência de mais de quinze anos na administração e execução de ações junto às escolas referentes ao regaste e vivência da cultura popular. Expande as atividades do Centro Experimental de Artes em parceria com o TIM ArtEducAção que nos seus 15 anos atende a mais de 800 alunos das Escolas Municipais nas suas 44 turmas espalhadas em 16 bairros do municipio.
Atualmente como ponto alto das atividades das oficinas é realizado, uma grande mostra artística em plena praça pública para uma platéia de mais de 3000 pessoas. Em 2007 o tema foi “Mudança de Hábitos”. A escolha do tema se deu devido ao grande envolvimento das crianças na busca do resgate das suas raízes contribuindo pela qualidade de vida no planeta.
Inserido nesse ambiente, o Ponto de Cultura Popular e Folclore de Viçosa decidiu modificar a sua proposta inicial de implantação, e assim expandir a Ação Griô para 22 escolas municipais viçosense, atendendo assim cerca de 7000 alunos da rede pública de ensino. Neste momento foi realizada uma sólida parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Viçosa, que apoiando e acreditando na iniciativa, através de seu Secretário Antônio Carlos Miranda, disponibilizou a supervisora escolar Elenice Lopes Pereira, em tempo integral, para ser coordenadora pedagógica da Ação Griô. O Ponto de Cultura de Viçosa, devido a esses laços criados com a Prefeitura Municipal, além de ter o subsídio do fomento do Minc, começou a receber apoio das Secretarias da Prefeitura por meio de transporte, material para auxílio em pesquisas e outros como papel e lápis utilizados nas visitas.
Nas escolas de Viçosa ocorre um fenômeno de sinergia entre a Ação e a direção das escolas participantes, devido ao desenvolvimento de uma metodologia pedagógica que não existia anteriormente. Outro fator que contribui para o desenvolvimento desse grande projeto nas escolas é a identificação e o convite de novos mestres nas comunidades onde a Ação está inserida (já foram identificados o Sr. Salvador Pena; o prefeito da cidade, Raimundo Nonato da “Violeira”; e Dona Chiquinha, com sua contação de estória e o Teatro do Oprimido) além dos dois mestres bolsistas financiados pelo Minc. O resgate de princípios e valores que regem a vida humana tem sido o sustentáculo do planejamento das atividades a serem desenvolvidas em Viçosa. A constante e continua busca da identidade dos alunos através do estudo de sua ancestralidade, da sua integração com a natureza, e do reconhecimento dos Mestres da tradição oral são os fatores que norteiam os passos da sistematização da Pedagogia Griô no município.
Neste primeiro ano, dois eventos foram determinantes para o desenvolvimento e reconhecimento da identidade do Ponto de Viçosa: o Encontro Regional e o Teia. Ambos ajudaram a despertar a sensibilidade nos Griôs Aprendizes que, além de tudo, tem de repassar a serenidade para ouvir e principalmente serem ouvidos, fator esse que é uma das bases da pedagogia. Outro aprendizado foi a prática do caminhar pelas escolas sem muitas formalidades, considerando que cada visita serve para a formação da identidade do personagem do Griô Aprendiz.
Mestres Encantadores
Descendente de escravos alforriados, o Mestre Griô Geraldo Félix, nascido em Peçonhas, Minas Gerais, era o caçula dos homens de uma família de 12 filhos. Crescido e educado numa roça no interior do Rio de Janeiro aprendeu a tocar viola com 10 anos de idade, inspirado por José Dias Nunes e pelos criadores e reis do pagode, Tião Carreiro e Pardinho.
Em 1970 mudou para Viçosa e recebeu o convite para cantar e fazer um programa sertanejo na rádio local Montanhesa. Participou de vários festivais na cidade e na região. “Guardo como relíquias mais de 70 troféus conquistados em festivais”, exalta o mestre olhando para suas conquistas, com um olhar de criança.
No começo da década de 80, Geraldo mudou para São Paulo em busca de maior conhecimento musical estudando música na teoria e na prática. Foi neste momento que ele observou que o seu conhecimento era bastante para o desempenho de uma atividade que servisse de resgate da cultura brasileira do mundo caipira.
No objetivo de repassar esta cultura, o prefeito Raimundo da “Violeira” criou a oficina de Viola no Centro Experimental de Artes e do Programa TIM ArtEducAção convidou Geraldo Carreiro para ser o professor. Hoje a iniciativa conta com aproximadamente 120 crianças e com o apoio do Programa TIM ArtEducAção, da Prefeitura Municipal de Viçosa e da Ação Griô Nacional. Com o sucesso da oficina o, Mestre Geraldo Carreiro incentivado pela Prefeitura Municipal de Viçosa criou o Clube Raízes da Viola entidade considerada de utilidade pública municipal e subvencionado pelo município. O mestre procura conciliar o desdobramento da sua ação entre a propagação do seu conhecimento e a agenda de apresentações que realiza em conjunto com os meninos da viola de Viçosa.
“Todo e qualquer resgate cultural é muito importante de ser trabalhado nas escolas. O Projeto Griô, veio resgatar a cultura dos pais, avós e até mesmo bisavós dos alunos, mostrando como era sua cultura em vários aspectos. Os causos contados despertam o interesse nas crianças, através do seu conteúdo e da maneira que eles são contados. Na maioria das vezes, bons projetos chegam, mas não tem continuidade. Espero que este Projeto Griô esteja sempre presente nas escolas como fator de fundamental importância para alunos, professores e toda comunidade escolar.”
Maria de Lourdes Silva Rodrigues Ventura
Profª. 5º ano da Escola Municipal Dr. José Teotônio Pacheco – Posses – Zona Rural
Para Dona Chiquinha, tudo teve início em 1993. Com a poupança confiscada e tendo que fechar o seu salão de estética, Chiquinha foi convidada pelo Secretário de Cultura de Viçosa, então Marcelo Andrade, para participar da oficina de Contadores de Histórias da Biblioteca do Rio de Janeiro, que estava sendo realizada na Universidade Federal de Viçosa.
A partir daquele momento houve uma revolução na sua vida. Inicialmente ela começou o ofício de contadora no Lar dos Velhinhos, em praças, na universidade e na rádio e TV locais. Depois de vários anos de contação, foi convidada para ministrar oficinas a crianças de todas as escolas públicas de Viçosa através do Centro Experimental de Artes, com apoio da Prefeitura Municipal de Viçosa e da Ação Griô Nacional. O resultado dessa ação pode ser vista no aumento de concentração dos alunos nas aulas e na propagação da oralidade como forma de saber. Decorrente do seu êxito na contação de história, a nossa Dona Chiquinha foi capacitada para ser multiplicadora do Teatro do Oprimido. Em Viçosa o trabalho foi iniciado na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC). Essa foi a primeira vez no estado que a iniciativa trabalhou com presos. E para surpresa de muito, com sucesso.
Atualmente Dona Chiquinha divide seu tempo entre, segundo ela mesma, “os seus dois passatempos favoritos”.
Eu acho importante para a gente saber com era a vida das pessoas no passado como era a história que eles ouviam como eram os seus costumes. As histórias que eles contam são histórias verdadeiras e que em muitas dessas, eles foram personagens principais. Tem histórias que são muito engraçadas, também revivem lendas interessantes e mostram o seus costumes. Essas histórias fazem nós alunos ficarmos interessados em aprender mais com eles e também despertar vontade de ler, tocar violão e contar causos.
Renato da Silva Bento 5º ano