Thilha – Congonhas- Casa da Juventude

AÇÃO GRIÔ NACIONAL

TRILHA PARA SISTEMATIZAÇÃO

Primeiro Ano – 2007/2008

1. A criação do ser e do lugar do griô aprendiz e de sua ação político-pedagógica relacionada à tradição oral

-O Griô aprendiz possui todas as características de um mestre e sua relação com os Griôs é excelente. Ele possui um forte vínculo com a sua ancestralidade e expressa muito bem através de sua participação nas atividades da cultura do congado participando ativamente de uma grupo como congadeiro, realizando oficinas de tambores e contribuindo com a realização de festival de Congado e Folia.

2. A criação do lugar do ponto na ação e sua ação políticopedagógica relacionada à tradição oral

Do alto da ladeira, dentro do grande monumento cultural Romaria localiza a sede de nosso Ponto de Cultura Casa da Juventude. Lugar que em todo momento vivência cultura nos: Festival de Cultura, Festival da Quitanda, Festival do Congado, … Tudo, tudo conspirou para que o ponto obtivesse mais um grande projeto que foi o Ação Griô.

3. A criação da rede de transmissão oral na política de educação e da cultura local, regional e nacional

Ei, lá vai dona Fiinha, contadora de prosa e versos, faceira e leve com sua roupagem de moiça meio que desconfiada e arteira vestida de branco chega às crianças com jeitinho manso e atrevido dizendo “que oseis não pode fazer coisa errada, tem que obedecer sua professora e não pode de maneira nenhuma falar nome feio¨. A meninada acha tudo muito engraçado e fica todo mundo calado. Então dona Fiinha começa a contar como era a vida naquela comunidade e como ela mesma viveu sua vida de criança e diz ¨nossas brincadeiras erma muito inocentes, brincávamos de pique, de boneca de milho, brincávamos em roda e ai cantávamos e dançávamos, batendo o pé na poeira e fazendo rodopio com o corpo moleque mas dono de uma infância sofrida pois não tinha quase nada mas tinha a alegria dos mais velhos que contavam histórias de assombração e de nossos guerreiros negros¨… e assim dona Fiinha viaja nos olhinhos das crianças criando um mundo de figuras e canções e a criançada sorrir imaginando que em sua própria comunidade tem alegria, tem festa, tem raiz e tem gente boa, gente nossa, gente que gosta de nós… A professora brinca ¨dona finnha, como foi seu casamento ? como foi o namoro e a escola?” Dona Fiinnha retruca ¨ih nem te conto a gente não tinha escola, aprendia em casa com as histórias de nossos antepassados, num sabíamos ler nem escrever mas aprendíamos a contar casos como ninguém… Dona Fiinha lembra sua avó e para… convida a todos para rezar, começa rezando uma ave maria dai a pouco vem a cantoria triste que dá dó mas ela bate palma e dai mais um pouco, dá um pulinho e passa para outra musica e ai é uma alegria só, pois neste instante começa a contar como foi que aconteceu seu casamento a criançada da risadas .. e assim dona Fiinha consegue encantar toda a meninada que silencia para lhe escutar ao mesmo tempo saltam risinhos de devaneios deixando bem firme que aquele saber pertence a ela e a comunidade e os educadores tem a nítida certeza de que muita história ainda vai rolar e que dona Fiinha tem cadeira cativa no seio da escola… Dona fininha pede pra sentar a professora se dirige a ela e pergunta se ela deseja voltar a escola para contar mais caso. Ela responde rápido “claro quando oseis quiserem. Esses meninos são meus netinhos e precisam saber como era esse povo todo daqui e as histórias que eles contavam. A seguir dona fininha pede para ir embora e sai cantando e dizendo em bom tom “meninos não façam bagunça…”

Eu já vou imbora, já vou sim

Levo no coração

O sorriso de oseis

E o carinho da escola

Volto qualdo quiser

Pois quero contar

Minha história e

A história de vocês…

Batendo palmas a porta se fecha

4. O encantamento da identidade, ancestralidade e alteridade dos estudantes e de todos os participantes da Ação

Os professores contam alegres e entusiasmados com os olhinhos encantados:

Ô meu pai, meu pai, QUE COISA, HIII PARECE QUE TÔ VIVENDO DE NOVO. Já vivi isto e já vi isto na minha rua e na minha casa. Meus avos sentados em bancos com uma chapa de brasa no meio do chão e só contavam histórias de assombração, dava arrepios mas a gente não arredava o pé. A cantoria, o chiado da boca. A virada do corpo e o clamor da alegria que soltava do corpo e do coração. E não são diferentes dos alunos que de boquiaberta encantam com as histórias e pedem mais e mais. Fazem perguntas e sugerem outras histórias quando lembram nomes de avós, vizinhos…

Dona Fininha, negra, miudinha, mas forte e fortalecida em seus 83 anos, vive em Congonhas com suas 8 filhas e filhos, 25 netos e 14 bisnetos. Sempre foi uma cozinheira de mão cheia, que adora brincar com as panelas, conversando e contando causos dos mais variados, fazendo toda a cozinha tremer de tanto rir. Sempre viveu na comunidade do Campinho, um bairro com descendentes afros carregados de uma cultura de santos, orações, rezas no terreiro, danças em grande festas no caminho de chão batido, que levantava poeira ao som dos tambores e Dona Fiinha não se cansa de falar, “ gosto daqui, sou muito feliz aqui , toda minha alegria e tristeza passei aqui e aqui, quero morrer.”…

5. Outros registros

Turma da EJA, Centro Psiquiátrico, o encantamento de Dona Fininha e Senhor Sebastião que no barulho das palmas, nas flores dos arranjos campestres, no café com broa, despertam o lugar para uma alegria firme e diferente. São os mestre que chegam fazendo festas, lançando no ambiente uma emoção que leva todos os alunos presentes a fazer uma volta no passado e reviver emoções do tempo de crianças, do tempo dos avós. O tambor toca, dona Fiinha puxa uma música e todos cantam e dançam. Assim que terminam pede outra e a seguir sugerem um caso e mais outro e mais outro… assim roda se anima, o tempo passa e o momento torne-se ímpar para todos. É só olhar e vê todos os olhinhos cheios de brilho de uma gota que teima em cair de emoção.

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