Trilha Coco de Umbigada

O Ponto de Cultura Núcleo de Memória Coco de Umbigada é um Terreiro que vem da herança familiar com a brincadeira do coco, tem como missão a Memória e a difusão da cultura popular com destaque para o coco e suas vertentes, traz a troca de saberes e a vivência dos terreiro como espaço de criação e salvaguarda da cultura popular de matriz africana.

A participação com a ação griô veio com a Identidade da proposta pedagógica, valorizar outros saberes, valorizar o saber popular, já tínhamos essa ação materializada no nosso ponto, com a chegada da ação griô,nossa missão foi fortalecida

Os mestres já participavam da Sambada de Coco, já trabalhava oficinas de troca de saberes no ponto e já tinha relação pedagógica com os alunos da escola da comunidade. Porém a bolsa trouxe auto-estima e troxe também aquilo que não se mensura, o reconhecimento de sua sabedoria que muitas vezes não se tinha nem mesmo dentro de suas casa.

Muito valoroso a ação de ir ao Ponto, ir à Escola e percorrer a comunidade trazendo sabedoria ancestral, valorizando o terrenos das tradições, trazendo auto-estima a quem fez de sua vida a história de uma brincadeira popular, importante a política pública compartilhar no reconhecimento deste outro saber.

O Griô Aprendiz é o grande vaso, no nosso caso, eu sou o griô aprendiz e recebo os mestres no nosso terreiro, os recebo no terreiro da Umbigada já a bastante tempo, a pelo menos dez anos que recebo os mestres de coco no nosso terreiro, e faço desse encontro uma grande sambada, no início eram poucos, agora , a noite toda é pouca pra tanta gente cantar, um espaço de visibilidade pra todos nós obtive muito respeito e muito aprendizado nesta ação griô.

A nossa auto-estima é grandiosa, fico demasiadamente feliz, toda sexta-feira das 14:00 às 20 h, os moradores, os mestres, os jovens, os estudantes, educadores, todos aprendendo juntos, com um formato diferente, integrando educação, cultura popular e comunidade.

Penso que o griô aprendiz deva conduzir este novo paradigma, de valorização dos espaços não formais de educação, vivenciados nas aldeias indígenas, nos assentamentos, nos terreiros e afins.

Na escola fortalecemos a cultura popular, puxamos por este pertencimento, Trazemos identidade em matriz africana, já enfrentamos intolerância muitas vezes, pelo próprio processo de desconhecimento da cultura popular, pela forma folclórica ou satanizada que a grande mídia nos rotula, porém penso que foi determinante estarmos na escola e trazer a escola pra nosso terreiro, nesta perspectiva de aproximar este dois saberes, O científico e o popular, sem intolerância, aprendendo juntos, o griô aprendiz usando da prerrogativa de ser rama de uma raiz ancestral, integrando o caminhante, o contador de história, o artista, a Iyalorixá, o poeta, o mestre coquista a uma nova forma de aprendizado.

Eu penso ser importante a mística da roupa, dos utensílios, dos paramentos na troca de saberes e na promoção da identidade griô, sempre trago os paramentos, as guias(cordão de misangas), o mojôlo(cordão de argila ou pedra pintada com os elementos do orixá), o ojá(pano de cabeça), e as vestes brancas, minha referência de indumentária griô, de sabedoria vem com o axó(roupa) da Iyalorixá(sacerdotisa de matriz africana), também traz o mestre griô usando um chapéu de palha e com um pandeiro na mão, sempre ele e seu pandeiro, nos nossos encontro, sempre trago meu pandeiro, uma forma de estar com a brincadeira sempre a mão.

Contribuição da Profa. Glauciane na elaboração dos resultados:

Apesar da Escola Maria da Glória Advíncula estar localizada no bairro do Guadalupe,Olinda–PE,local de extrema riqueza e diversidade cultural,a equipe pedagógica até então não tinha percebido a grande idéia de fazer parceria com um dos tantos centros de cultura que rodeiam a escola, nosso direcionamento cultural estava concentrado em visitas e caminhadas para valorização e reconhecimento da história local e em sala de aula nossos alunos faziam a releitura do que aprendiam através de desenhos produções de textos, expressão corporal e oral, percebíamos que faltava algo que trouxesse,mais satisfação no processo ensino-aprendizagem e como se fosse luz divina, numa tentativa de minimizar a agressividade na hora do recreio, coloquei os instrumentos musicais usados na capoeira(uma das oficinas da escola aberta) no pátio da escola. Eu acreditava que no mínimo as crianças prestariam atenção e por curiosidade iriam tentar manusea-los.convidei o funcionário da escola, Adriano Lopes, para apresentar aos alunos um pouco do seu talento e para minha surpresa as crianças estavam tocando,quis saber imediatamente quem havia ensinado-os e numa só voz me disseram que foi a Beth,naquele momento notei que se tratava de uma pessoa muito importante para aquela comunidade .As crianças me levaram até o centro cultural coco de umbigada (local onde fazem oficina de percussão) e lá me apresentaram a Beth,percebi naquele encontro a oportunidade de uma grande parceria ,finalmente algo que traria vida para nossa escola.Beth agendou comigo algumas visitas dos alunos ao centro e com muita generosidade nos envolveu num processo de identificação e reconhecimento afro-descendente, tivemos também aula de percussão e conhecemos a história que não tem nos livros.Em sala de aula os alunos fizeram a releitura do coco em várias dimensões :O coco de roda e suas vertente populares, nos ensaios de dança com voluntários.

O coco canção,na linguagem oral e escrita,O coco enquanto fruto,na criação de um livro de receitas(sabores do coco) e ainda conhecemos a arte produzida com a casca (catemba), o talo,a palha e a quenga do coco.O projeto desenvolvido na escola tomou como ponto de partida o coco da Beth e abraçou os outros ritmos do Guadalupe ao Bonsucesso(bairro onde está localizado nosso anexo, Espaço Aberto).Confesso que a princípio não foi fácil envolver o grupo de educadores na convivência religiosa e ético cultural,visto que o preconceito concebido pela falta de informação ainda persiste em nosso meio,sabendo disso eu me apoiava no discurso de que o que permeia a educação é a informação e que o indivíduo tem o direito a um desenvolvimento pleno e que é necessário que o educador oportunize ao aluno não só o conhecimento científico ,mas também o saber popular,Hoje me sinto mais confiante,pois sei que por trás dessa semente plantada existe a AÇÃO GRIÔ que irá garantir a continuidade deste trabalho.

Disco, programa de rádio, outras escola, protagonismo na comunidade.

Nossos Mestres e Griôs são lideranças artísticas e espirituais, na aldeia Indígena do povo Fetha em Águas Belas-Pernambuco e nos terreiros da região metropolitana do Recife. Com a ação griô seu protagonismo foi fortalecido em suas famílias, seus terreiros e suas comunidades.

Nas oficinas e vivencias foram desenvolvidas pedagogias que envolve canto, dança, ritmos, oralidade, contação de história, brincadeiras da cultura popular, pesquisa, leitura, elaboração de conteúdo para programação da rádio, gravação de cd’s e l formação continuada de multiplicadores, novos mestres de cultura popular.

São procurados com freqüência por escolas e universidades para ministrar oficinas e fazer vivencias que retratem a ação griô. Nossa Mestra Griô Mãe Lúcia de Oyá, representa o Grupo de Trabalho, GT de Matriz Africana na Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, esta griô tbm foi convidade pela Universidades Mauricio de Nasau e Faculdade Barros Melo, para ministrar aulas sobre a história da África e Africanidade Brasileira, como curso de extenção.

Nossos Mestres griôs, erm rodas de diálogos, conversamos bastante sobre o universo de comunicação das rádios, sobre o universo social da comunicação, que comunicação queremos para nosso ensinamentos.temos uma rádio no pontos e elaboramos em conjunto com nossos mestres, programação para rádio amnésia.

Gravamos 10 cd’s, todos dos mestres griôs do nosso terreiro, gravado com o kit multimídia do ponto de cultura pelos jóvens da comunidade, na perspectiva de nos apropiarmos das novas tecnologias de informação e comunicação, de entender esses cd’s como novos produtos culturais, oriundo de outra lógica de mercado cultural.

Com a tecnologia que hoje temos dentro de casa, gravamos nossa música, preservamos a memória do terreiro e promovemos a difusão desta cultura, estando além do edital para fomento.

O Encantamento é geral, dos mestres que tiveram este reconhecimentos, dos estudantes que tiveram este ensinamentos e da comunidade que hora se descobre protagonista da cultura popular. Porém hoje convivemos com uma grande contradição, o professor trabalhar em três expediente para manter os filhos na escola particular, na sala de aula ele aplica o ensinamento que ele não acredita.

Precisamos acreditar naquilo que fazemos…

Trazer vigor e identidade ao ensinamento.

Essa é a nossa proposta griô, pertencimento com a cultura popular e identidade com a matriz africana. O resultado foi maravilhoso, hoje temos uma escola integrada com a cultura popular do coco e suas vertentes. A proposta inicial de trazer a educação caminhando com a cultura da comunidade foi vivenciada e fortalecida, o resultado foi uma escola empoderada com sua cultura popular e com formação de novos mestres griôs.

A Sambada de Coco gera trabalho e renda para os mestres e para toda comunidade, envolvendo aproximadamente duas mil pessoas, entre mestres, artistas, estudantes, professores, gestores públicos, produtores culturais, turistas, terreiros e entorno. A sambada tem na ação inicial o Cine-Clube Macaíba, mídia que promove pertenciomento, forma platéias e foca suas exibições na Matriz Africana e na Cultura Popular, com destaque para documentarios que retratem a história de vida dos mestres do nosso país. Posterior ao Cine-clube, temos a presentação do Coco de Umbigadinha, grupo infanto juvenil da comunidade que resultou das oficinas com os mestrees griô e mestre aprendiz no ponto de cultura. Após o coco de umbigadinha, chamamos os mestres griôs do coco e começamos a Sambada que continua durante toda a noite e só termina no raiar do dia.

Mestra Griô, Mãe Lúcia de Oyá: Mãe Lúcia tem uma trajetória de vida integrada ao terreiro, aos dezoito anos foi iniciada, vem da rama nagô de Pernambuco, com sua avó Bernardina trazendo ensinamentos do velho sítio de pae Adão. Na década de oitenta precidiu o Afoxé Alafin Oyó, trazendo polêmica admitindo e integrando pessoas não negras a esta instituição religiosa. É coordenadora pedagógica da Escola de Ensinamentos de Mãe Preta, escola de vivencia que traz os ensinamentos dos terreiros. É parteira, benzedeira e Iyalorixá, coordena e lidera espiritualmente o Terreiro de candomblé Ilê Axé Oyá Togum, passando ensinamentos de cura, cidadania e espiritualidade a seus mais de 50 filhos de santo. Ministra oficinas e aulas de matriz africana em escolas e Universidades de Pernambuco Compõe o Quadro de Oficineiros de Matriz Africana no projeto Multicultural da Prefeitura da Cidade do Recife Coordena a Rede de Saúde dos Terreiros na cidade de Paulista em Pernambuco. Protagoniza a ação griô em Pernambuco e tem assento no GT de Matriz Africana na Comissão Nacional dos Pontos de Cultura.

Estudante Rayane

Rayane – Menina de 9 nos, afro-descendente, moradora do Beco da Macaíba, onde se localiza o Terreiro da Umbigada, estudante da segunda série da Escola pública municipal Maria da Glória, seus país tem mais 3 filhos, a renda da família se dar a partir da venda de bebidas na cidade alta em Olinda e durante a sambada no primeiro sábado do mês. Rayane, tem muita dificuldade no aprendizado, repetiu a primeira e a segunda série, falta bastante aula e não tem acompanhamento em casa das atividades escolares.

Não tem auto-estima com a escola e confessa ir a escola na maioria das vezes pela merenda, em contrapartida, no terreiro “ponto de Cultura” é sempre a primeira a chegar e a última a sair, ta sempre sendo convidada a dar entrevista, tem na dança e no canto grande protagonismo, compõe o grupo de cantores mirins do coco de umbigadinha e guarda varias matérias de jornais que retrata o coco e traz sua foto, sua avó lhe presenteou recentemente com um quadro, onde ela estar a dar muitas umbigadas com outras crianças no jornal de grande circulação em Pernambuco, ela pindurou este quadro durante um tempo no ponto de cultura e na escola onde estuda, demonstrando sua alegria e auto-estima com a brincadeira que já desde cedo carrega, também é entusiasmadíssima com o afoxé do nosso terreiro.

Antes éramos apenas um terreiro, grande na sua missão de trazer a memória do coco e fazer a difusão desta brincadeira, oportunizávamos os mestres coquistas a mostrar sua arte e ensinamentos, porém com a chegada da ação griô, nosso universo se ampliou muito, hoje temos a Uiversidade Federal de Pernambuco, através do mestrado do curso de administração, compartilhando os saberes, temos uma parceria com o Serpro na entrega dos computadores, que propiciou nosso telecentro, uma proposta de inclusão digital com apropriação das tecnologias de informação e comunicação, Temos uma grande parceria com o governo do estado, através do programa Células Culturais na FUNDARPE, realizamos e produzimos um grande pólo de carnaval na nossa comunidade, articulamos mais de 100 mil reais para cobrir cachê e estrutura de palco e som para 26 pontos de cultura de Pernambuco, na perspectiva de dar visibilidade as expressões de cultura popular dos pontos.

Beth D`Oxum

Coco de Umbigada

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