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Feira da Palavra
Pra´quem sabe ler um pingo é letra,
25/08/07. Casa do SR. Juquinha, Lapinha da Serra, Serra do Cipó M/G.
Estávamos em bar tomando um suco de frutas, preparando para seguir viagem quando seu Juquinha, nos disse que gostaria que houvesse um encontro em sua casa similar ao que aconteceu na residência de Dona Piedade, no primeiro semestre, em meios de muitas brincadeiras disse a ele que não faria nem um encontro em seu terreiro, Juquinha por sua vez, fechou a cara para mim e o Vinicius, logicamente meio sem graça e ao mesmo tempo feliz… Abracei o Sr. Juquinha, pedi desculpas pela brincadeira que (jamais pensei em ser de mal gosto) e depois com muitas risadas, combinamos a data da Feira da Palavra , lembro-me bem naquele fim de tarde inicio de noite de um domingo de junho, seu Juquinha emocionado gritou de longe:- “hô Fernando, vê se o ce marca a data da Fêra da Palavra lá pru fim de Julho!”, com o carro saindo, respondi a ele:-Poço marcar para o dia vinte e cinco?-Pode é um ótimo dia, falou o seu Juquinha com um belo sorriso escancarado de norte a sul, felicíssimo e sentindo muito forte a presença de Deus naquele momento e ainda sentindo muito de perto o que era a verdadeira Luz divina do Mestre e do Griô para o Griô Aprendiz que sou eu este Fernando que lhes escreve e que gritou despedindo (agora de vez) do seu Juquinha, -será no dia vinte e cinco de Julho, o dia do meu aniversário! –Serio, se eu escrever aqui que vi luzes, irão todos os leitores achar que fiquei louco, mas afirmo: vi sim luzes, alias belas luzes
DIA 25 DE JULHO, ( o dia fora do tempo ).
A viagem foi maior que o tempo, o mês passou e lá estava eu novamente na Casa de seu Juquinha, não conseguimos montar de vez a Feira da Palavra, mas a festa foi ótima, estava com a Pollianna, minha parceira de todas as horas, encontramos vários amigos e fizemos um feriado com muitas miraçôes, marcamos para o fim de agosto, agora com melhor entendimento para todos, Pollianna, D. Lina, esposa do Sr. Juquinha, e eu, anotamos em um papel, o nome de todas as arvores e plantas que havia em seu quintal, anotamos também, outros nomes de objetos que habitava aquele terreiro, passado alguns dias,( e já encontrava-mos em agosto ante véspera de nossa festa/ação) voltamos a Lapinha da Serra, com a programação pronta, em papel, logicamente introduzo o leitor a um passeio por estes últimos dias, e já adianto – tivemos problemas sérios nas últimas semanas na “lapinha da Serra”, ( é uma peninha ter que citar estes fatos lamentáveis em um livro didático) um estúpido indivíduo tentou assassinar o outro , pronto, fim, falamos. A comunicação com o seu Juquinha para a organização do encontro foi via fone comunitário, e a comunidade da Lapinha encontrava-se a pavorosa devido o fato citado, nisto desmarcamos o evento duas vezes, e acertamos para vinte e cinco de agosto, confirmamos a ida de D. Mercês nossa outra Mestre querida para comparecer na nossa Ação Griô, com muita alegria ela levantou a mão para o Céu pediu graças a Nossa Senhora do Rusario, e confirmou a sua presença, D.Piedade, nossa outra Mestres que nos orienta sobre ervas medicinais, quase explodiu de alegria quando eu e Vinicius confirmamos a data, “já tô lá!” disse ela a nós.D. Divina (que o nome já diz tudo) não pôde comparecer, dizendo que seu machucadinho nos pés ainda não havia melhorado.
-Convidei Daniel Porto, um grande amigo e profissional na área de Vídeo para nos ajudar na organização e filmagens, tudo muito acertado com a O.N.G. Rede Catitu, que é parceira do Projeto Presente, a O.N.G. proponente da Ação Griô, seguimos de Belo Horizonte para a Serra do Cipó (M/G.) no dia 23 de agosto as 07:00 hs. De uma manhã ensolarada, em companhia do Vinicíus que é um moço sério, Presidente do Projeto Presente, seu carro Toyota, Daniel Porto com sua Câmara de Vídeo e eu com a minha cabeça em cima do pescoço, seguimos primeiro para o Município de Jaboticatubas M.G. onde encontramos a nossa querida agente cultural, Paula Oliveira que nos brindou na escola Municipal Cândida de Lima na mesma cidade de Jaboticatubas M/G , juntamente estava dona Divina que ali estava para uma palestra de nossa programação de calendário da nossa Pedagogia Griô que foi batizada de Amamentação, a qual simbolizava o “ encantar com suas Histórias de vida”encantado os alunos coordenados pela a Professora ,D. … da 4º série do ensino fundamental. Eu como entre mediador, soprava aos alunos de D. …, um pouco da sapiência de Dona Divina, uma lembrança boa e especial que guardo deste encontro, foi um hino que recebi dos Céus, e o título que escolhi, foi:- O Divino e a Fé, vejam!
O Divino e a Fé.
A dona Divina,
Ela é Divina
*Majestosa, sapiente,
Reza a oração, faz a comunhão,
*Em seu terreiro Matição
Todo São João, ergue o Bastão,
*Tem fogueira no Matição
Atravessar aquela brasa,
*Tem que Mirar, pedir Perdão.
Faz o festejo da consagração
(Convidamos a cantar duas vezes onde tiver este símbolo, (*) na frente da canção).
Bem, voltando ao encontro com dona Divina na escola, digo a todos (as) foi um encanto!
As crianças estavam comportadíssimas, pareciam que todos nos estávamos flutuando naquela sala de aula, as perguntas das crianças foram ótimas, desde; – o que é sapé, até como era cidade nos bons tempos de infância de dona Divina, perguntaram também se ela ia a escola descalço, e a rizaiada foi geral, e o restante da História vocês vão ver no Vídeo que o Daniel Porto produziu junto com a Rede Catitu Cultural.
Dia 23 de agosto
Depois de ter passado na casa de dona Mercês e ganhado um abraço daqueles apertado d´ela pedi ao Vinícius que rumasse para o distrito de Cardeal Mota, via a estrada velha para que nós apanhássemos limões, para nossa limonada no dia seguinte, e ao bater palmas na primeira moradia que arregalava nossos olhos envolvidos de tantos frutos de nosso interesse, veio outra surpresa boa, o proprietário da fazenda era, e é mais um Mestre de nossa Cultura popular brasileira o Sr. Jó, que nos presenteou com os limões, e afirmando que também iria nos dar a graça de comparecer em nossa Feira da Palavra, como foi e tocou belas musicas. Depois da boa conversa ali como senhor Jô, continuamos nossa jornada, estrada a fora, e dez minutinhos já estávamos tomando um café mineiro, coado com amor pelo marido “Zezé” de dona Piedade, conversa vai, conversa vem, combinamos tudo tim-tim por tim-tim sobre nossa “Feira” com dona Piedade e seguimos para a casa do Vinicius em busca de um jantar e pensamento, ligado na Feira da Palavra, que estava por pouco para dar certo. Vinícius ficou a favor de levar de carro no outro dia os nossos Mestres, eu e Daniel Porto, seguiríamos no raiar do sol para a Lapinha da Serra, e estávamos a 45 km. De distancia da casa de seu Juquinha. Então após aquele jantar, o qual eu preparei, miramos em umas orações de agradecimentos e firmamento para o outro dia , começamos ali a confeccionar as palavras pré anotadas pela a Pollianna, e ditadas pela dona Lina , ainda naquela noite pós o jantar, escolhi o slogam, que foi proposto por nosso Daniel , que ficou, até então:- Feira da Palavra, Encontro do saber, pra´dar e vender”. Vinícius o craque multimídia de nossa História , pôs-se a confeccionar em suas cartolinas letras maravilhosas, bem no estilo Hai tech, Daniel o do porto, mas que vive nas montanhas porque tem as manhas, confeccionou belas palavras coloridas e abusadas, algumas com desenhos, outras com letras conjugadas, e assim com os meus poemas , colorindo aquela noite e as cartolinas azuis, passamos a mais bela noite literária de nossas vidas.- Para deixar o leitor curioso retratarei um dos poemas que recebi naquela noite, véspera da nossa Feira. Na cartolina desenhei, samambaias e escrevi obviamente a palavra Samambaia, e atrás do cartão, veio este Poema:- “Sou eu que enfeito sua varanda, e recebo teus amigos”, num é legal?- As demais frases vocês verão em nosso vídeo.
Dia 24 de agosto
Agora é relaxar e aproveitar
De coração a sabedoria.
Eu vim aqui me apresentar
Me reconhecer neste lugar
Simples pessoas, ricas sabedorias
De encantamento, infinito saber.
Com esta cantiga descíamos e subíamos montanhas, eu, Daniel e a “Kombi, de codinome:- Marileide pé na roça” do Projeto Presente que delicadamente apelidamos de (roceira, pois ela só gostava de rodar na estrada de terra) e fomos cantarolando em busca de entender o que seria nossa Feira da Palavra. –Alegrissimos, chegamos cedo na casa do Mestre Juquinha, sua família encontrava-se preocupada com nossa Feira que estava por poucas horas à começar. Depois de um bom papo, pedimos licença aos donos da casa e começamos a varredura no terreiro de seu Juquinha, e o movimento foi geral as crianças ficaram, na incumbência de convidar outras crianças para participarem da festa, embora o nosso agente jovem o “Wilmar” já havia convidado os moradores local, depois da limpeza do terreiro, escrevemos a lista de mantimentos proposta por dona Lina, e fomos até a uma mercearia situada na Lapinha e fizemos as compras de alimentos que serviríamos no dia seguinte na festa da Feira da Palavra, tudo muito organizado, aplicamos $153,00 (Cento e cinqüenta e três reais) em mantimentos que serviram o nosso cardápio, caldo de feijão com carne cosida, caldo de mandioca com lingüiça, pipocas, frutas e doces da roça também abrilhantaram nossa festança. Logo que dona Lina começou a preparar a comilança, partiu eu e Daniel, em busca de convidar outras pessoas que considerávamos importante comparecer em nossa festa, tudo solucionado, fomos dormir e sonhar com o encantamento que estava por vir no outro dia…
Dia 25 de Agosto:
-Ainda não era sete da manhã quando Rafael e Gilmara (netos de seu Juquinha e de dona Lina) havia nos acordado para tomar café e começar a arrumação do terreiro, meio sonolento e feliz, acorda eu e Daniel amassados da dormida na barraca, e partimos para a organização final antes da festa. Decidimos que a frase “ Feira da Palavra” ficaria afixada na cerca de arame farpado na entrada do terreiro onde seria o encontro festivo, os transeuntes perguntavam a todo momento o significado daquela peleja, e as respostas pedimos as crianças que respondiam por todos, dona Lina pediu que comprássemos mais balões para enfeitar o varal de secar roupas, as mais de dez crianças que já se encontrava por ali, colocamos a disposição dezenas de lápis de cera para que todas pudessem desenhar, e escrever frases de boas práticas para colorir ainda mais aquele terreiro. Wilmar, o agente Cultural que atua na comunidade da Lapinha da Serra, trouxe e afixou com um barbante todo trabalho pré confeccionado pelos alunos que participam de nossa Pedagogia Griô, as redações que foram casos extraídos anteriormente com a passagem do Mestre Juquinha na escola deu um brilhantismo grande em nossa Feira, e assim fomos pregando as frases e palavras pré confeccionadas em seus devidos lugares, onde tinha uma bananeira afixávamos a palavra bananeira, e assim sucessivamente colamos todas as frases em seus devidos lugares, só uma exceção, na arvore do café, colocamos (propositalmente) a palavra “Dama da noite”para brincar na ora da Feira, com o propósito de fazer valer à adivinhação, que foi um sucesso e corre-corre, o homem que adivinhasse a troca proposital, ganharia um abraço apertado de dona Lina, e se fosse uma mulher que acertasse o combinado ganharia um abraço do Sr. Juquinha, com muitos sorrisos, chegamos as 13:00hs, e os convidados já se estavam chegando para a Festa. Foi muito forte ver os convidados chegarem, parecia que toda a comunidade iria participar da nossa Ação, ver aquelas vovós e vovôs descendo a rua de seu Juquinha e adentrando em seu terreiro foi surpreendente, afinal a Lapinha havia passado por uma grande decepção social, e logo-logo chegou o Vinícius com os nossos Mestres e convidados e o terreiro ficou ainda mais lindo e colorido. O almoço foi servido e eu que estava preparado para dar inicio as atividades, fiquei a ver navios, pois dona Mercês e os demais Mestres começaram com uma oração linda abençoando a casa de seu Juquinha e a nossa festa, um chororó de emoção tomou conta de todos, e logo após fiz meu palavreado de agradecimento a Deus e convidei a todos para participarem da brincadeira de adivinhar qual arvore foi trocada de nome, e pra´variar as crianças espertas da Lapinha não demoraram mais que um minuto e adivinharam a brincadeira que foi ótima e marcante para todos. Como interlocutor da farra convidei seu Juquinha para contar uma História e ele na mesma ora levantou-se da cadeira e nos contou a mais bela História que havia escutado em um terreiro, foi de uma emoção encantadora, não sabia se prestava á atenção em seus gestos ou no rosto daquelas pessoas simples e bonitas que estavam em nosso redor. Assim que terminou a fala do nosso Juquinha, dona Mercês abriu seu vozeirão com as mais belas cantigas que já havia escutado e como era normal a festa foi chegando gente bonita de todos os lados e a música de dona Mercês tomou conta daquele terreiro, seu Jô nosso mestre tocava viola, eu na percussão juntamente com o Wilmar e o Vinícius no pandeiro, e vários números de dança nos envolveu naquela tarde, recortado, umbigada, e batuque não faltou, tivemos até um batuque especial com as crianças dançando e cantando e mais chororó nos rostos de todos, rolou….
-Acreditamos depois de ter visto estas cenas, que jamais o batuque nestas montanhas acabará, que lindo foi!- D. Mercês já tinha combinado conosco que retornaria as 18h00minhs, e provavelmente nesta passagem que estamos descrevendo deveria ser 17h59minhs, mas quem disse a ela que conseguiria voltar no horário combinado, eram beijos e abraços por todos os lados, dona Piedade emocinadissíma abraçava todos, una grande emoção veio à tona, quando sugeri que saiscímos da casa de seu Juquinha cantarolando, “ta caindo fulô”, Música que eu imaginava ser a mais bela para o momento, como foi.
Dona Geralda, filha do Mestre Mundinho não desgrudava de dona Mercês, pedindo a ela que rezasse um terço em sua residência, atravessamos o pequeno povoado da Lapinha ainda pesadíssimos de tanta emoção, e chegamos até a casa de dona Geralda e de seu marido Belizário para rezarmos o terço, que por sua vez, foi o mais belo até então.
Dona Mercês além de puxar as orações convidava a todos para abraçar a” Nossa Senhora da Aparecida” que esta resguardando o lar da cumá (comadre) Geralda, mais um chororó tomou conta novamente de todos nós, neste momento sublime de saída da casa, dona Piedade pesadíssima elevou suas mãos aos Céus e agradeceu por estar ali conosco, dizendo que a poucos meses teria feito uma operação de risco.-Nisto, Vinícius já havia ligado seu carro, o último corre-corre do dia estava por acabar, as luzes dos postes já estavam todas acesas, dona Mercês da janela do carro gritou pra´mim, “hô Fernando cê gostou da festa, foi do jeito que você queria?” –Eu então respondi:- Adorei, tudo que sonhei em ver, era os nossos Mestres juntos aqui na Lapinha!- Um vento soprou a poeira que nos envolvia, e descemos a ladeira em direção a casa da casa do nosso Mestre Juquinha cantarolando as mais belas cantigas de improviso “ viva a Feira da Palavra
Viva a Feira da Palavra
Quem vai querer,
Quem vai levar.
Quem vai querer,
Quem vai chegar.
Palavras descritas, pelo Griô Aprendiz, Fernando Fabrini.