Arquivo paraMaio 3, 2008

Ponto de Cultura Maria Mulher, através de Nice.

 É estranho me ver numa outra terra mas ao mesmo tempo, em meu país , ver, ouvir, contar histórias de uma cultura  que parece única mas que é permeada de diferenças, tão sutis que quase nos levam  a uma outra dimensão.

É a mesma terra que nos aproxima com verdades e realidades tão diferentes onde nossas  histórias se entrelaçam e se confundem na construção deste pais continental. Saber que o contador de causos de Lajes pode ser o mesmo personagem que eu encontro lá na avenida Tronco como Mãe Maria que em sua  doçura fala dos tempos da escravidão e também fala de esperança e fé que movimentou cada uma de nós, mulheres negras, sábias, amigas, mães, vó, filhas num tear de papéis não escolhidos mas necessários a nossa sobrevivência.

Fé no homem que busca na natureza das ervas medicinais, o mesmo chá que irá minorar as dores de quem está  em Ronda Alta ou na periferia de Alvorada ou em Cananéia .

 

Que magia é esta que nos faz retroceder no tempo e buscar junto aos nossos ancestrais saberes e conhecimentos  que a modernidade nos fez esquecer? Bendito Griô, que chega como um novo arauto, anunciando e contando a nossa história de geração a geração, nos propondo uma integração do ontem e do hoje, o reconhecimento de nossos mestres que tão generosamente compartilham seus saberes.

Bendita ação griô que me permite esta viajem ao passado onde minhas raízes mais primitivas me trazem a memória as práticas do benzimento, da cantiga que acalanta, do reconhecer a tormenta no céu e faz pedir a Santa Bárbara que abrande estes ventos.

Estar aqui trocando, produzindo, conversando e vivendo me faz desabrochar  o que de mais caro existe em mim, o amor ao próximo e a ternura pela vida abençoada que me é oportunizada.

 

O Ponto…

 

O Ponto está localizado na região Cruzeiro, em Porto Alegre. Esta região conta com uma grande população de afro-descendentes. Maria Mulher desenvolve suas atividades há mais de dez anos neste local. E sua missão é trabalhar junto a mulheres negras, vítimas de violência, discriminação e exclusão social.

 

A ação griô vem somar nesta missão ao resgatar a nossa historia da oralidade através da implantação da ação griô, no ano de 2007.

Como não poderia deixar de ser, foi buscar os mestres, griôs e aprendiz de griô neste universo feminino onde as questões de gênero, etnia e inclusão são ícones de luta.

 

Estamos satisfeitos com a grio aprendiz que assume o papel de agente mediador entre mestres, griôs, escolas e educadores, educandos, e comunidade.

 

Este papel assumido vem resgatar os saberes históricos locais da comunidade negra e também da transformação ocorrida através dos tempos.

 

Dialogar com os diferentes saberes é também uma forma de inclusão, promover a integração do passado e do presente, do jovens e da criança, do adulto e do idoso, realizando ponte com a escola que tem no ensino formal os princípios educacionais faz com que os desafios sejam maiores. Sabemos que podemos ampliar nossa caminhada, também sabemos que nossa griô aprendiz precisará constantemente da presença de todos que se engajaram nesta ação.

A transformação se percebe quando visitamos as escolas parceiras e através de seus diretores e professores percebemos o encantamento e a magia que a pedagogia griô vem acrescentar aos saberes.

Esta aproximação também oportuniza o estreitamento das relações entre a escola, comunidade e instituições. A caminhada acontece através do diálogo permanente entre os atores envolvidos e cada ação é pensada e planejada com a presença do representante da escola que auxília com ponderações que irão tornar mais efetiva a ação do grio aprendiz, do mestre e também o educador da sala de aula que aponte a sua vivência e história de vida com esses alunos.

Há avanços, ás vezes resistências que vão sendo mediadas e trabalhadas durante o processo desenvolvido.

As reflexões advindas destes encontros promovem o fortalecimento das ações e consequentemente os avanços necessários.

Nossa equipe através de uma proposta coerente com cada escola parceira, propõe a ruptura com os saberes convencionais que não sustentam os desafios propostos. Aproximar os saberes, esta é a intencionalidade que acompanha a cada dia nossa ação grio.

Nossas mestras griôs, griô aprendiz, educadores e educandos vêm mostrar a todos a importância desta proximidade.

 

Nos fortalecemos a cada dia que passa e sentimos necessidade de continuar nossa ação griô e paralelamente ser agente impulsionador na promoção da sustentabilidade do ponto de cultura.

 

Estamos registrando nosso encontro graficamente e com fotos que ao serem revisitadas nos mostram o quanto é importante manter a memória de nossa gente, sejam eles todos griôs e que Deus continue nos inspirando nesse saber que vem valorizar outra forma de contar e preservar a nossa historia.

 

A motivação é continua, pois ela se alimenta das novas ações executadas e aquelas que irão transformar o nosso futuro.

A nossa construção com a comunidade escolar é um investimento prazeiroso, cujos frutos passam agora a esperar a colheita promissora.

 

Vamos consolidando nossas ações, sem perder de vista as peculiaridades de cada um dos envolvidos. Esta disposição das equipes diretivas das escolas parceiras nos motiva enquanto Ponto de Cultura Maria Mulher e Ação Griô e todos os seus componentes.

 

O desenvolvimento de nossa prática pedagógica onde a oralidade é nosso principal instrumento, nos permite dar um novo colorido a saberes já visitados, que se revestem de magia e encantamento através do som.

 

A valorização nesta descoberta dos saberes tão melancolicamente abandonados na memória, adquire um novo encantamento e seus autores (nossos mestres) descobrem um novo empoderamento onde a magia do ser é mostrado em toda a sua punjança.

E nossas mestras tornam-se protagonistas das histórias e também de suas cidadanias.

Esta visita ao passado com o compromisso de uma troca entre os saberes formais e não formais, resultando assim numa nova prática educativa com outros significados que até então passavam desapercebidos em nosso cotidiano.

 

É lançado um novo olhar para dentro de si e a reavaliação é inevitável, permitindo vir a tona o que cada um tem de melhor e conseguiu reencontrar nessa caminhada.

 

Na caminhada griô é inevitável a transformação de cada indivíduo, sendo tocado e envolvido pelo reencontro com suas origens que possam por ventura se encontrarem adormecidas.

A sabedoria de nossas ancestrais conjugadas com novos jeitos de contar histórias e estórias resgata o prazer de ser ator e autor de nossa própria história

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De Olho na Cultura, através do Vander

Vander, De Olho na Cultura, Alvorada

 

Ação Griô ajuda assumir meu direito de ser homem e não deixar de ser sensível….

 

O Mestre Griô é a raiz… Eu sou o PONTO…De Encontros…

 

Meu chapéu veio da América Central, é uma palha feita por mãos mágicas de mulheres de um país chamado Panamá, meus sapatos ganhei de um palhacinho (Marcucos) que fazia muitas pessoas rirem para elas nunca ficarem tristes. Minha calça eu ganhei de uma mulher que andou viajando muito pelo mundo e tem um olhar mágico sobre as coisas. (Márcia de Paula)

 

Quando desci, na parada quarenta e oito de minha cidade um músico me deu um Pandeiro e carrego comigo até hoje

 

Tenho maracás que os índios Xokleins de Santa Catarina fizeram… e embelezam as mãos das pessoas que tocam nelas… por isso, também estão comigo…

 

Minhas cantorias aprendo com vários Mestres e Griôs… o principal deles é o Velho Grio Márcio Caires lá de longe na Bahia… cidadezinha chamada Lençóis. Minhas palavras aprendo a torná-las mágicas e lindas com Meu Mestre Tio Neno, que me acompanha e me dá a força da minha rima e de minhas brincadeiras…Minha alegria vem de meu Pai…

 

Através do vínculo forte que se perpetúa com o tempo de vivência, principalmente entre o Griô Aprendiz e o Mestre Tio Neno, surgiu a essência que mudou o ar da nossa caminhada. Então, a chegada do Griô Aprendiz nas escolas surgiu junto às turmas de alunos e professores.

 

Ver, cantar, ouvir, sonhar

 

Matraca-samba pra argentinos-biju – pode ter sido o meu primeiro ouvido musical…

 

Acontece ao reencontrar as árvores, as plantas, “re semear”

a semente nas vivências com o mundo das escolas de minha caminhada. Minha imagem renasce quando, enfrentamos a construção, na gente, como Griô Aprendiz, uma figura mais mitológica de educador.

 

Assim é instigante para a gente quando encontramos nossas roupas, nos preocupamos com a construção desse encontro e reencontro com os estudantes e professores das escolas.

 

As vestimentas, os símbolos desabrocham:

Eles já estavam presentes em minha vida…Como presentes que já havia ganhado. É como me rebusco de uma caminhada que só a Pedagogia Griô nos faz ver e rever como vem acontecendo… Esses símbolos vêm dali, de dentro de minha casa, dos meus amigos, dos meus mestres e vão tomando o lugar onde me organizo, já dentro de minha casa, por já estarem, essas marcas, dentro de meu ser. Minha mala, meus sapatos, camisas, colares, enfeites, brinquedos e todo um Universo de pertences que falam em meu corpo, engrandecem e embelezam minha presença diante dos ambientes escolares que atuo. As crianças e jovens ao tocá-los se comunicam comigo e o diálogo plural de nossos encontros se manifesta em beleza singela e poesia pura… Meus Mestre Tio Neno é uma âncora, que sustenta o que sou, nesses momentos.

 

Quando levei minha nova maneira de entrar na escola tive minhas inseguranças. quando eu usei essas roupas, levei todos os escudos comigo, para minha caminhada da escola:  minha família, meu mestre….o meu momento de insegurança vivido com meus alunos e com aqueles que já não estranham quando me emociono diante do fazer poético da ação no contato com as crianças.

 

Esses elementos, partes de nosso ser, são nossos “Pés no Chão”. Os Mestres, as Escolas, professores e alunos são os pomares, plantações…Como reclamar das árovores?

 

 As escolas nos falam pouco de assunção, de sensibilidade, emoção, abstração, divagação, declaração de amor. Nós avançamos em direção a esses prédios com nossa bagagem carregada exatamente dessas coisas que não estão no diálogo das escolas.

Nossa maneira de se relacionar, seja com professores, ou com alunos foi ficando assim:

 

Sempre o Griô Aprendiz envolve e distensiona os nossos recepcionados. Ele cria um ambiente, uma atmosfera lúdica e atraente. Depois o Mestre Tio Neno toma conta da sustentação desse ambiente, mediado por seu Aprendiz.

Encontramos a Rudeza diariamente em nossa caminhada. Em Alvorada e na região em que trabalhamos a Ação Griô, nas situações que se apresentam a nossa frente, é como uma batalha de David contra Golias. O lugar quer dizer que não se permite a gentileza, singeleza e outras maneiras de manifestar nossa sensibilidade, mas nós, antes de tudo gente humana, nos comunicamos e nos tornamos mais plenos e intensos quando assumimos esses elementos em nossa convivência na relação com as crianças.

 

PROSPERAMOS

 

No contato direto com as crianças nos renovamos… Quando cada uma das vozinhas que nos reconhecem chamam nosso nome e envolvem-se com a gente percebemos nosso ser receber mais um tijolinho que reforça nossa construção. As crianças cantam tanto e com tanta vida que em meio ao trabalho nos arrepiamos com um arrepio que chega a arder na pele, de tanto prazer de viver aqueles momentos tão marcantes e ao mesmo tempo tão efêmeros. Nesses instantes os sentimentos nos afirmam que jamais esqueceremos e as crianças também, de nossos encontros…

 

É onde reside a continuidade da Ação Pedagógica Griô, para além das instituições financiadoras… Está na atitude, no desejo que temos de ali estar e mostrar com nosso corpo antigas maneiras de aprender e vivenciar nossa brasilidade.

 

É fantástico quando entramos pela primeira vez em uma turma, principalmente de oitavas séries, ou ensino médio. Os jovens nos vêem como loucos que acabarão fazendo o mesmo marasmo monológico de que já estão enjoados. Vamos produzindo ludicidade e eles vão se envolvendo. Vêm com toda a força sua participação. O Griô Aprendiz, nesse meio trabalha orquestrando aquela euforia que os jovens manifestam de estarem felizes e intensos na troca… Uma espécie de maestria que se fortifica com a resposta dos estudantes às propostas e vivências que criamos juntos. Quando os jovens percebem, já os surpreendemos e eles já estão querendo saber quando voltaremos. Esse é o melhor termômetro. Da força dos jovens emana nossa continuidade e o ECO de nossa ancestralidade nos conduz, para além da RUDEZA dos lugares onde atuamos. Esse lugares são lindos porque tem gente lá

 

GENTE É PRA BRILHAR…

NÃO PRA MORRER DE FOME.

 

“Me digas com quem tu andas,que te direi quem és”

(ditado popular)

Em casa ouço as histórias de minha mãe, as músicas que meus amigos da Ação Griô e outros Griôs do meu mundo me dão para que eu possa aprender a gostar delas, aprender com elas e levá-las dos anonimatos de onde as encontrei até os mundos da escola. Toda minha educação de agora em diante é medida muito mais pelo OUVIR…Desse ouvir meus Mestres Griôs renovo minha sensibilidade…

 

Em São Leopoldo na Escola Olimpio Viana Albrecht… vivemos um momento no qual, percebi que estou em um crescendo de amor:

 

Propusemos apresentação de nossa dinâmica de trabalho aos meus colegas professores, exatamente em um dia em que foram discutidos temas polêmicos para os encaminhamentos da eleição da Escola… a proposta foi do Griô Aprendiz, eu não podia adiar… Quando chegamos no refeitório já senti na pele um ambiente hostil, uma atmosfera de decisões e encaminhamentos muito objetivos. Então pedi para que pudéssemos fazer nosso trabalho na sala de vídeo… Pedimos meia hora. Fui lá, preparei a sala para termos todos os mais de sessenta professores sentados de bem com o ambiente que proporíamos… Na maneira como os colegas entraram percebi que estavam muito cansados e saturados das discussões da reuniões. Prontos para não agüentarem física e emocionalmente nenhuma atividade racional e objetiva… Entretanto, percebi que o grupo de educadores não se abria ao que conversávamos sobre a Pedagogia Griô. Resolvi cantar com meus colegas e não foi uma tarefa muito fácil… Em determinado momento se desligaram do passado recente e sintonizaram-se com o passado mais ancestral que todos temos, através da cantoria de Senhor, Senhor! Terno de Reis recolhido dos mestres pelo Ponto de Cultura Bola de Meia de São Paulo. Logo após, liberei meu espaço para o Mestre Tio Neno…Todos os colegas não conseguiam ir embora mesmo quando acabou o horário da reunião de tanto envolvimento que criamos com eles, nessa conversa com o Mestre. Tio Neno vendeu mais de quinze de seus livros e ficou encomendado mais cinco….

 

Quando eu ando dentro das escolas tenho o princípio de meu Mestre Tio Neno. Não trabalho nunca com a brutalidade nas conversas que estabeleço com os colegas professores. Toda minha demanda é muito nova para aquele ambiente,  então me coloco nele através de minha alegria, gentileza e paciência… Assim conquisto meu espaço… ganho respeito primeiro, respeitando…

 

“A Ação Griô vai tomando conta de mim”

Griô Aprendiz Vander

Alvorada/RS

 

Todos temos um passado que se manifesta em nosso ser. A Ação Griô provoca nossa exposição como realmente somos. Na minha manifestação revejo a alegria de todos os peões de obra e de camperiada de minha família. A alegria que convivi nos ambientes masculinos em que meu pai me levava quando íamos na casa de meus avós, vem à tona quando sou lúdico… isso me lança para meus alunos, meus amigos, meus parentes, meus mestres… E no ambiente escolar, faz um bom tempo que isso não ocorre como algo que também deva ser respeitado e valorizado como uma maneira cultural de ser dos povos… Me permito a errar e acertar junto com meus alunos, nas brincadeiras com as crianças da Ação Griô e até nas dinâmicas com meus colegas professores…

 

Irrita a maneira como se impõe a obrigatoriedade de apenas acertarmos dentro da escola… “Errar é humano” é uma expressão de fracasso e incompetência no meio escolar, entretanto, é através da vivência da experiência com os erros que avançamos… Assim os “quebra-cabeças” e versos quebrados cumprem uma função de produzir ambientes de descontração e relaxamento dentro da sala de aula…

 

História de vida do Tio Neno

 

Nascido em Gravataí, meu Mestre Tio Neno, tem nome de Bernardino Fialho… de uma leva de quinze irmãos,Tio Neno viveu seu mundo de infância na lida dos campos de sua cidade natal… Perto das árvores, criação de animais, lavoura. Desse universo de vida o legado que resiste é a subserviência e a humildade… Suas palavras e seu olhar são um manto de gentileza simplicidade e alegria, que se traduz em dividir seu amor pela vida e tudo o mais que puder, com as pessoas…Ele é um nome respeitado na historia dos andantes da poesia popular, seja ela tradicionalista ou não, em Porto Alegre.

 

A Ação Griô levou esse mestre a conhecer os mais profundos rincoes de periferia de Alvorada. Gerou um envolvimento do Mestre Tio Neno com crianças muito carentes. Junto dessas crianças e jovens, o Mestre descobre todo um tipo de respeito afetivo e jovial que a sua personalidade distribui ao ambiente escolar. Os jovens adoram suas poesias. Decoram poesias, esperam ansiosos seus Acrósticos e vibram com as homenagens que Mestre Tio Neno presta a cada um dos meninos e meninas que abrem seus problemas familiares e de escola para ele…Sua chegada na escola junto de seu Griô Aprendiz é fascinante e ao mesmo tempo intrigante…Apenas o tempo vai dizer qual o tipo de respeito que vai se originar dos encontros dos Griôs com as três escolas onde atuamos…

 

E impactante a energia que se impõe no ambiente da roda quando o Griô Aprendiz abre o espaçoo e o disponibiliza para o trabalho do Mestre junto as crianças e adolescentes. O Mestre Tio Neno, além de instigar os jovens a se relacionar com a poesia e a contação de histórias os instruí à postura de respeito que eles tem que aprender a ter com os autores das poesias… Ele sabe muitas histórias das pessoas que escreveram as poesias que recita, quando não são as suas…

 

A rima pausada e paxolenta da alma gaúcha que emana do mestre faz com que os jovens, primeiramente se atenham a essa dicotomia: como se um Centro de Tradições Gauchescas (CTG) surgisse a frente deles. Ao final, quando entendem o que a poesia diz aplaudem muito, então o Mestre explica alguns significados de palavras e de seu tempo, para melhor ilustrar a historia que a poesia conta… Mas logo após já se lança a recitar poesias gauchescas humorísticas, nesse momento ganha mesmo a juventude ou as crianças e se consolida como um vovozão que todos querem ter.

 

Velhos Amigos

 

Eu tenho quase certeza

Que a melhor coisa que existe

Quando se chega à velhice

É ter família e um lar

Ver cada filho criado

Cumprindo o dever sagrado

De sempre nos aparar.

 

Na velhice a gente chega

A seguinte conclusão

Se vivermos em união

Vamos ter quem nos conforte

Alguém que nos estenda a mão

Deus pai, o grande patrão

Será o nosso suporte.

 

Mas o melhor dessa vida

Digo com sinceridade

São aquelas amizades

Que dia a dia se conquista

É tão gostoso ver alguém

Sorrindo e fazendo o bem

Este é o meu ponto de vista

 

Os amigos verdadeiros

Nunca no deixam sozinhos

Vão emparelhando os caminhos

Na hora da precisão

Nos sentimos amparados

Quando estão ao nosso lado

Dando apoio e proteção.

 

Todo o dia encontramos

Na lona estrada da vida

Buracos, lombas e descidas

Vivemos num perde e ganha

Jesus morreu na cruz

É Ele quem nos conduz

Na cidade ou na campanha.

 

Se você pretende entrar

No alto reino da glória

Ponha isto na memória

Que foi Cristo quem falou

Quem vive na minha amizade

Ganhará na eternidade

As bênçãos de quem me enviou.

 

Pensem nisto meus amigos

E sorriam todos os dias

O sorriso contagia

Nos conforta e nos acalma

E pense sinceramente:

Sorrir faz bem para a mente,

Pro coração e pra alma

 

Bernardino Fialho (Mestre Tio Neno)

 

Tio neno tem um olhar clínico – quando a gente chegou, a roda tava meio travada…Tio Neno disse assim: vou dizer  uma poesia de amor:

(Quem disse que é impossível ter amor na escola tava mentindo….)

 

Aliança de papel  [silêncio total]

(essa poesia é de Milton Souza recitada pelo Mestre Tio Neno numa manhã fria para alunos da turma 801, CAIC Mario Quintana.)

 

Foi só de brinquedo que eu disse que amava

Brincando disseste: te amo também

A gente brincava e jamais esperava,

Que os anjos ouvindo dissessem amém.

 

Em um gesto infantil e sem desconfiança

Tu confeccionaste, de simples papel

Para os nossos dedos, duas alianças

E em tom de brinquedo jurei ser fiel.

 

Os dias se passaram e na realidade

O que eu sinto agora é um terrível medo.

Medo de estar te amando de verdade

E sendo amado apenas de brinquedo.

 

Qdo acabou a poesia a sala era outro lugar, eram outros jovens… não estavam tristes, depois dessa poeta os caminhos se abriram.

 

Essa poesia me fez descobrir q também gosto de poesia rimada…..

Agora tô decorando uma poesia para o dia dos pais…Missão de Pai (Milton souza)

 

Estou atuando hoje numa escola, num lugar onde participei da organização da ocupação dos prédios…..

“Ocupações que ajudei a fazer acontecer me tornaram forte pra acreditar que Deus nos dá força pra mudar o mundo pra melhor… Hoje os lugares são bairros e onde não tinha pessoas morando temos milhares de pessoas vivendo felizes e escolas, professores e casas de comércio, praças e tudo o mais…”

 

 

Tubi Tupy

Lenine

Composição: Lenine e Carlos Rennó

 

Eu sou feito de restos de estrelas
Como o corvo, o carvalho e o carvão
As sementes nasceram das cinzas
De uma delas depois da explosão
Sou o índio da estrela veloz e brilhante
O que é forte como o jabuti
O de antes de agora
em diante
E o distante galáxias daqui

Canibal tropical, qual o pau
Que dá nome à nação, renasci
Natural, analógico e digital
Libertado astronauta tupi
Eu sou feito do resto de estrelas
Daquelas primeiras, depois da explosão,
Sou semente nascendo das cinzas
Sou o corvo, o carvalho, o carvão

O meu nome é Tupy
Gaykuru
Meu nome é Peri
De Ceci
Eu sou neto de Caramuru
Sou Galdino, Juruna e Raoni

E no Cosmos de onde eu vim
Com a imagem do caos
Me projeto futuro sem fim
Pelo espaço num tour sideral
Minhas roupas estampam em cores
A beleza do caos atual
As misérias e mil esplendores
Do planeta de Neanderthal


 

Ponto de Cultura Anima Bonecos, através de Paulo Nazareno

Como coordenador do projeto Anima Xokleng acredito  que o griô aprendiz assume o seu lugar por ser do mesmo povo e saber dos interesses incomuns, além de ser educadores mestre na língua materna.

 

A sua relação com os griôs e mestres é muito boa, porém com a escola ainda se tem tido algumas dificuldades.

 

O griô aprendiz é uma referência para o povo Xokleng e a maioria dos educadores da escola reconhecem o seu valor e dedicação, pois  a maioria  dos professores sendo  indígenas , percebem todo seu esforço  em conquistar sua formação acadêmica e seu  importante papel na preservação da sua língua  materna e os costumes de seu povo…

Os conhecimentos tradicionais do povo indígena já faziam parte da grade curricular da escola, isto é, já vinham trabalhando nesta linha de atividade e o trabalho dos griôs veio para complementar, aliás, para reforçar o que já vínhamos fazendo.

 

Neste caso, o griô aprendiz tem grande importância na defesa social-política-pedagógica de sua cultura, sua língua materna, sua ancestralidade. Sinto que falta ainda do griô aprendiz reconstruir os rituais, o encanto, as vestes.

 

Em relação a isto, do ponto de vista de fora, acredito que ainda falta a sacralização dos conhecimentos orais propostos devido a vários fatores como: interferência religiosa, ritos esquecidos ou deixados de lado…

 

Acredito que o griô aprendiz sabe da importância de incorporar a missão desta ação na escola parceira porque ele é o principal elo de ligação entre as partes envolvidas neste processo: mestres anciãos, a escola-ponto e sua comunidade.

 

Posso dizer que vejo coerência no projeto apresentado para o edital e com a prática na escola e na comunidade, porém sempre teremos novos desafios a serem superados.

 

O projeto está sendo desenvolvido dentro da escola ,com alunos do ensino Básico, temos  encontrado na prática algumas dificuldades com relação a interação da cultura tradicional com o sistema formal de ensino, bem como na operacionalização  interna e externa da escola  por isso  se  sente a necessidade de  fortalecer a ação também com a comunidade.

 

A equipe da ação griô vem sistematizando através de  avaliação conjunta com Griôs ,escola, lideranças e o Ponto para descobrir outras novas  formas  de aplicá-la, ultrapassando assim os muros da escola, porque entendemos que a aprendizagem acontece em todos os lugares .

Como coordenador do projeto ,tenho socializado o maior numero de informações possíveis com as demais pessoas do ponto, para garantir um melhor desenvolvimento,apoio e esclarecimentos da Ação.

 

Creio que estamos todos aprendendo juntos durante este processo de auto-conhecimentos, tivemos e vamos ter muitas conquistas valorosas e inesperadas. Porém não podemos negar que no caminho foram surgindo dúvidas  e dificuldades,com relação a aplicação da pedagogia, os deveres e o lugar de cada um na ação. Como exemplo em alguns momentos o próprio coordenador do projeto viu a necessidade de também assumir uma postura de griô aprendiz, com atividades dentro da escola  principalmente e na relação com os mestres ,griôs,lideranças e comunidade. O importante é estarmos abertos as críticas construtivas e dispostos a aprendermos e qualificando ainda mais, juntos a pedagogia ideal p/ cada realidade.

O ponto reconhece a missão  da ação, pois crê ser de grande importância e valor étnico-sócio-político-cultural, para que não se percam as conexões com as origens ancestrais em todos os aspectos de nossas vidas.

 

O Ponto de Cultura dispõe de uma boa infra-estrutura para as inúmeras atividades que realiza no Ponto. mas a pesar disto consideramos insuficiente  os nossos equipamentos para atender com mais qualificação as ações na Terra indígena ,devido a distância e principalmente as dificuldades de comunicação(Não tem internet, apenas um telefone celular c/ a Direção de escola).

 

O projeto Anima Xokleng da Ação Griô potencializa a relação religiosa e étnico-cultural  no Ponto através da troca de experiências  que  os espetáculos de Teatro de  bonecos e em encontros de intercâmbios ,porém não da maneira como o ponto gostaria , pois temos grande dificuldades  devido a não previsão orçamentária da ação griô para com os Pontos .Principalmente para as ações em reservas e comunidades indígenas distantes.

 

A escola tem grande potencial para ampliar ainda mais a disponibilidade de tempo e comprometimento com as atividades do projeto da Ação griô, os educadores passaram a potencializar  a convivência religiosa e étnico cultural junto dos alunos, através das palestras ministradas pelos mestres e griôs.

 

Existe um respeito e um diálogo entre a escola e,educadores e  griôs , porém tem potencial para melhorarmos ainda mais estas relações afetivamente..

A escola reconhece  a missão da Ação pois os conhecimentos tradicionais ,língua e arte indígena já fazem parte do projeto pedagógico da escola, tendo consciência da importância e da valorização da memória do povo Laklanò, mas é importante contagiarmos também a comunidade como um todo.

 

A ação griô reconhece e valoriza todos os professores da escola,mas como já foi questionado pela escola a Ação não prevê nem um tipo de reconhecimento ou valorização financeira para a escola e seus educadores por que entende que eles já recebem como professores e a ação deve ser vista como um suporte e apoio para qualificação do ensino público indígena.

Os Griôs e mestres tem sentido a necessidade de aos poucos ampliarem suas ações no sentido de se emanciparem , e ter um maior empoderamento de seus anseios , para isto estão se organizando em uma  associação, para poderem realizar outros projetos de sua própria autorias junto ao povo Laklano.

 

Posso dizer que a comunidade indígena passou a produzir e a valorizar ainda mais a sua cultura, sentido até a necessidade de construir um espaço (Oca) para produzir , expor e vender seu artesanato para visitantes da aldeia. Aumentando assim renda familiar ,sem ter que sair  a perambular pelas cidades vizinhas, esmolando a sua  valoroza arte.

 

A ação griô trouxe o reconhecimento dos mestres anciãos  fazendo-os perceber a grande importância dos seus conhecimentos  e a vontade  de compartilhá-los  com os mais  jovens e a sua comunidade em geral, para assim garantir um futuro e uma qualidade de vida melhor dentro da Terra Indígena.

Um projeto como este só vem a qualificar a formação dos educadores ,fortalecendo seus vínculos e afetividades com seus alunos e a comunidade. Como a Ação Griô é recente e inovadora ainda não podemos mensurar  nível de auto reconhecimentos possíveis de se conquistar.

 

Os estudantes tem aprendido  muito, principalmente a reconhecer e valorizar sua cultura ,seu o lugar e o respeito aos mestres anciãos. O griô aprendiz acredita que em todos os sentidos a recuperação dos  costumes tradicionais é relevante para fortalecimento da identidade como Povo indígena .

 Trabalhar com a ação Griô,como represente do Ponto e coordenador da ação na Terra indígena  me encantou, trazendo-me  o reconhecemos de minhas próprias raízes étnica culturais, indígena-negra-européia,esta mistura que nos faz sentir Brasileiro e  sua grande importância para fortalecimento e desenvolvimento da autoconsciência humana.

 

“É possível que em conjunto com os griôs e Mestres Anciãos nos transmitirmos os conhecimentos tradicionais para os jovens e a comunidade desta Terra Indígena .Porque acredito que em todos os sentidos a recuperação dos nossos costumes é relevante para o fortalecimento de nossa identidade como povo. Porque ao longo da história de contato com a sociedade não índia, foram deixados os costumes tradicionais de lado e o povo está consciente para recuperar” . Nanblá Grakam – Griô Aprendiz

“Vei-tcha Uvanheccu Teie- 73 anos é mais conhecido na comunidade indígena como Veitcha – mestre da tradição oral – ele me contou que na época do dilúvio tinha um esperitista (xamã) que conversava com o espírito da palmeira, aí quando as águas começaram a subir ele pediu para  o espírito da palmeira abaixasse, então ele subui com seus parentes na copa da palmeira e ela foi levantando na medida que as águas foram subindo, e eles ficaram lá em cima esperando as águas abaixarem – pra eles saberem quando podia descer, eles jogavam o coco lá de cima, esperando ouvir o barulho… glub, glub, as águas não tinha baixado,  “ploc” barulho que caiu no chão, quando as águas baixaram, o espiritista disse a palmeira para novamente descer. Aí como eles eram todos parentes, pintou símbolos nos rostos de seus parentes que os diferenciavam e através deles poderiam ou não se casarem.

 

Histórico do Ponto

 

Eu vim do Rio Grande do Sul para Santa Catarina em 2005 aceitando a proposta do meu amigo Willian para criamos o Centro de Pesquisa e de Produção de Teatro de Animação – CPTA.

 

O ponto de cultura surgiu através da união de 2 cias de Teatro de Bonecos a Nazareno Bonecos e Cia dos Bonecos, hoje chamada Trip Teatro de Animação, com um primeiro objetivo de juntarmos as nossas forças para podermos ter um teatro próprio com ateliê , biblioteca pra podermos pesquisar, produzir e apresentar os nossos espetáculos.

 

História de Vida do Mestre do Nazareno

 

Vivência relatada pelo Griô Antônio Cuzung Copacan nas primeiras palestras com jovens da escola indígena, ressaltando a importância da preservação da cultura de seu povo e como foi o seu despertar para o reconhecimento de sua ancestralidade.

Copacan, 68 anos de vida, conhecido em seu meio pelo nome “Ka”, sendo grande conhecedor das histórias de seu povo. Ele com sua família já moram  na cidade ,mas voltaram por que queriam criar seus filhos ao modo da cultura indígena.

 

Despertar

 

Nesta ocasião ele estava morando e trabalhando na reserva indígena Laklanõ tirando madeira do mato para alguma empresa. Sua esposa frequentemente lhe pedia para ele trazer madeira para fazer arco e flecha.

Ele  meio contra vontade ia trazendo. Dona Ioco  de vez em quando lhe mostrava a produção e pedia sua opinião se estava bonito e tal. Seu Copacan  falava que sim que estava bonito …mas em seu íntimo não dava  muita importância e valor aquele trabalho artesanal.

Certo dia Dona Iocô já tinha  feito  bastante  flechas  , quando começou a passar alguns ônibus escolares na frente de sua casa indo em direção a outra Aldeia da reserva.

Então ela chamou Copacan para ir com ela  vender os artesanatos. Então Copacan  desconversou , dizendo que não estava bem ,que estava indisposto, aproveitando que já estava deitado em sua cama.

Dona Iocô então chamou as crianças pegou seu precioso artesanato e foi para a estrada ..o ônibus parou e eles foram para o local da visita. Enquanto isso seu Copacan ficou em casa pensando ….”quando ela chegar vai brigar comigo”.No fim da tarde os ônibus começaram a retornar ,quando um deles parou e desceu Dona Iocô e as Crianças todos carregados com sacolas de alimentos nas duas mãos ..foram entrando em casa  contentes  e chamando por Copacan para ver tudo o que haviam ganhado.

Seu Copacan saiu do quarto um pouco disfarçado, meio sem jeito, olhando todas as sacolas de alimentos e logo percebeu que não havia mais nenhum fardo de flechas ….mas não quis perguntar nada de vergonha e medo de levar um chingão da esposa .

Logo em seguida Dona Iocô meteu as mãos no bolso e retirou um monte de dinheiro ,resultado da venda dos arcos e flechas….dinheiro superior a mais de três meses de seu trabalho no mato e sem fazer força bruta. A partir deste dia ele em seu íntimo prometeu nunca mais desvalorizar a sua cultura  e passou a ajudar sua esposa por entender a riqueza que eles tem em suas mãos.

 

 

 

 

Apresentação Acartes, através do Damasceno

Apresentação Acartes: Gerardo Damasceno, Coordenador do Ponto.

 O Ponto de Cultura ACARTES insere-se na comunidade do Pirambu, que é um grande caldeirão cultural, por conta da formação de sua população, que se deu apartir da união de vários povos do interior do estado do Ceará, trazendo toda sua cultura e sincretismo religioso. O bairro que era inicialmente um povoado de pescadores, cresceu, tornado-se hoje uma das maiores favelas da América-Latina, com cerca de 300 mil habitantes.

O ponto de Cultura que já desenvolvia trabalhos de revitalização da cultura local, desde do ano de 2000; agora com as ações desenvolvidas com a Ação Griô, conta com a contribuição dos trabalhos desenvolvidos por cinco Mestres Griôs: Mestre Parteira, Mestre de Boi, Mestre de Percussão, Mestre de Jangada e Mestre Artista-plastico.

Foi mostrado alguns resultados do curso de desenho, ministrado pelo Mestre artista-plastico, com apresentação de alguns desenhos feitos por seus alunos, o curso acontece no ponto duas vazes por semana.

Foi apresentado dois vídeos com:

1.Uma roda de parteiras – uma conversa com seis parteiras da comunidade, sendo a mais velha com 103 anos, onde trocavam experiências e relembravam os momentos de seu oficio na comunidade: dificuldades remédios utilizados, etc.    

2. Duas apresentações do Boi. A primeira na Casa do Cantador em Fortaleza-CE. E a segunda, a “Matança do Boi” realizada no Centro Social Urbano Governador Virgilio Távora, que contou com presença de cerca de 2000 pessoas, entre brincantes estudantes e comunitários, no dia 20 de janeiro (dia de São Sebastião). Ambas as apresentações foram realizadas com o Boi Redentor (formado para revitalizar a cultura do Boi no bairro do Pirambu, e iniciado com a Ação Griô), dirigida pelo Mestre de Boi Deivson; o Boi Redentor foi criado com os alunos formados pelo Mestre de Boi apartir de aulas ministradas na Escola de Ensino Fundamental Cristo Redentor.

Está sendo realizado uma projeto de pesquisa por alunas da Universidade Federal do Ceará, sobre o trabalho das parteiras.

Foi falado também do trabalho de um longa-metragem que está sendo intensificado através do conveniamento com o Pontão.

Uma das ações políticas da ACARTES foi a elaboração de projeto de lei que foi apresentado a câmara municipal de Fortaleza, através da vereadora Eliana Gomes, que institui projeto semelhante a Ação Griô em caráter municipal.

Os trabalhos acadêmicos realizados por alunos da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará, vem auxiliando na aprovação dos projetos encaminhados pela ACARTES.

Ao final da apresentação foi realizada uma vivência invocando a força de São José (padroeiro do Ceará), em virtude da proximidade de seu dia: 19/03.

Musica cantada:

“Meu divino São José

Aqui estou em vossos pés

Daí-nos chuvas com abundancia

Meu Jesus de Nazaré.”