Ritual de Apresentação da OCA através do Luan

Dereck Luan Viana de VasconcelosOCA - Ponto de Cultura de Alter do Chão

 

Primeiramente eu peço à benção ao povo da Amazônia que me dá sabedoria para continuar nessa jornada.

 

TURYA (na língua indígena ou sairé) é minha saudação.

Sairé é a Festa que toda Ação do nosso Ponto está voltada

para o resgate dessa festa, que tem mais de 300 anos.

 

O Ponto de Cultura da Oca trabalha com diversas atividades:

biblioteca, educação ambiental, música, dança, informática e

oficinas de arte e artesanato.

 

Escolhemos o lema para nosso estandarte, por sugestão de nossa

Mestra Dona Benita:

De Geração em Geração Ação Griô Alter do Chão

para dar continuidade e valorizar a Festa do Sairé.

 

A Ação conta com 2 mestres pelo convênio

1) S. Servito, que é um velho mestre Amazônida de 85 anos,

que tem toda uma relação com a natureza. Foi seringueiro,

soldado da borracha, trabalhou com óleos vegetais, artesão

e cantador e músico autodidata.

2) D. Benita,de 80 anos, é mestra em contar e escrever

 histórias em cordel e participou da construção da organização

comunitária da Vila.

 

A nossa primeira atividade foi voltada ao resgate

das músicas tradicionais de Alter do Chão, entre eles

o Quebra-Macaxeira – que é um conjunto de cantigas

que são entoadas em todas as manifestações folclóricas

da comunidade, entre elas: as folias cantadas:

São Benedito, Avoá, Macucauá, que hoje já faz parte do

acervo da Ação Griô Nacional.

 

A Ação surgiu baseada no trabalho que eu já desenvolvia

voluntariamente com vários mestres, entre eles o S. Servito

e D. Benita, por isso, a credibilidade dos Mestres com o Griô

aprendiz e o Griô, Chico Malta, pelo vínculo afetivo criado entre nós.

 

No decorrer da atividade tivemos dificuldades com o corpo técnico da

escola por conta deste não entender a proposta. Apesar dessa dificuldade

o educador parceiro sempre participou de todas as atividades da ação,

inclusive entrou em atrito com a direção por conta disso.

  

Conseguimos resultados positivos com uma parceria

da SEMTRAS – Secretaria Municipal de Assistência

Social de Santarém, para desenvolver o trabalho da

Ação com os alunos da escola municipal conveniados

com o programa PETI – Programa de Erradicação do

Trabalho Infantil, e os dois educadores responsáveis

pelas duas turmas.

 

Estamos no processo de construção das indumentárias

tanto do Griô Aprendiz como do Griô. Elas representarão

o caboclo amazônida e o carimboleiro do Pará.

 

Outro foco da Ação Griô é o resgate dos brinquedos e

da brincadeiras de Alter do Chão, como: pira-bola,

pira-pega, pira-esconde, pira-alta, que significa peixe

na língua nhengatu, do povo borari do qual eu descendo,

que significa flecha envenenada, gemerso, jacarandá, etc…

além das brincadeiras de roda que contam as histórias de

pássaros da Amazônia, como Azulão, Pipira brasileira, Patativa.

 

Um dos objetivos da Ação é realizar oficinas baseadas

num processo de sensibilização, contando com os mestres,

o griô, educadores e alunos. Devido a Alter do Chão ser um

lugar turístico que recebe influência de outras culturas faz-se

necessário tal ação para que busquemos formas de preservação

da nossa cultura.

 

Quero fazer a vivência me apoiando no ritual

de trabalho chamado Macucauá.

 

Em roda, com a mão esquerda à sua frente

e a direita com a cuia na mão, vamos girando

e jogando versos para dentro da roda repetindo

o verso:

 

“Mangerona da panela, Macucauá,

Traz o galho repartido, Macucauá;

 

Você me mandou cantar, Macucauá,

Dentro da Cuia Pitinga, Macucauá;”

 

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